Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Criança de sete anos dá entrada no pronto-socorro apresentando uma mordida profunda na face provocada pelo cão de um vizinho, de vacinação desconhecida e aparentemente saudável. A criança habita uma área de raiva controlada. Assinale a conduta adequada em relação à profilaxia da raiva nesse caso:
Mordida profunda na face por cão com vacinação desconhecida = exposição grave → soro antirrábico + vacina antirrábica.
Mordidas profundas na face são consideradas exposições graves à raiva. Nesses casos, a profilaxia pós-exposição completa, que inclui soro antirrábico e vacina antirrábica, é fundamental, independentemente da área de raiva controlada ou da aparente saúde do animal, devido ao alto risco de transmissão e à proximidade com o SNC.
A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal, transmitida principalmente pela saliva de animais infectados através de mordidas, arranhaduras ou lambeduras de mucosas. A profilaxia pós-exposição (PEP) é crucial para prevenir a doença em humanos, e sua conduta depende da gravidade da exposição e das características do animal agressor. No caso de uma mordida profunda na face, como a descrita, a exposição é classificada como grave devido à proximidade da lesão com o sistema nervoso central, o que acelera o tempo de incubação e aumenta o risco de desenvolver a doença. Mesmo em áreas de raiva controlada e com um animal aparentemente saudável, a vacinação desconhecida do cão eleva o nível de alerta. Nesses cenários de exposição grave, a conduta padrão é a sorovacinação, que consiste na aplicação de soro antirrábico (imunização passiva imediata) e no início do esquema de vacina antirrábica (imunização ativa). A observação do cão por 10 dias é recomendada para animais que podem ser identificados e que não apresentam sinais de raiva. Se o animal permanecer saudável, a vacinação pode ser interrompida. No entanto, a opção de 'sacrificar o cão' na alternativa correta (A) pode ser considerada em contextos específicos de alto risco ou quando a observação não é viável ou confiável, embora a diretriz geral seja observar um animal aparentemente saudável. É fundamental que os residentes compreendam a importância da avaliação de risco e da aplicação rigorosa dos protocolos de PEP para salvar vidas.
Uma exposição à raiva é classificada como grave quando há mordidas profundas, múltiplas, ou em áreas de alto risco como cabeça, face, pescoço, mãos e pés. Também se considera grave qualquer arranhadura ou lambedura de mucosas por animal suspeito ou desconhecido, ou contato com morcegos.
Para mordida profunda na face por cão com vacinação desconhecida, a conduta é iniciar imediatamente a sorovacinação: aplicar soro antirrábico (SAR) e iniciar o esquema de vacina antirrábica (VAR). A observação do animal por 10 dias é recomendada, se possível, mas não exclui a sorovacinação devido à gravidade da exposição.
A eutanásia do animal agressor é indicada se ele apresentar sinais de raiva durante o período de observação de 10 dias, ou se não for possível observá-lo (animal fujão, silvestre, etc.). O cérebro do animal deve ser enviado para exame laboratorial para confirmação diagnóstica. Para um animal aparentemente saudável e observável, a eutanásia não é a conduta inicial.
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