UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Um paciente de 45 anos procura o pronto atendimento, vítima de mordida de cão há, aproximadamente, 4 horas, apresentando lesão irregular profunda de, aproximadamente, 2,5 cm em região palmar da mão direita. Refere que estava em via pública quando decidiu acariciar o animal. Não sabe informar sobre a situação vacinal do cão e não sabe informar se é possível mantê-lo sob observação. Qual a conduta adequada para o caso?
Mordida de cão profunda na mão, animal desconhecido → Lavagem extensa + debridamento + imunização passiva e ativa.
Mordidas de animais, especialmente em áreas de alto risco como mãos e face, e quando o animal é desconhecido ou não observável, exigem profilaxia pós-exposição completa para raiva, incluindo imunoglobulina e vacina, além de tratamento local da ferida.
A profilaxia pós-exposição (PEP) para raiva é crucial no manejo de mordidas de animais, especialmente quando o status vacinal do animal é desconhecido ou ele não pode ser observado. A raiva é uma doença viral fatal, e a intervenção precoce é a única forma eficaz de prevenção. A decisão sobre a PEP baseia-se no tipo de exposição, na espécie do animal e na situação epidemiológica local. O tratamento local da ferida é a primeira e mais importante medida, consistindo em lavagem abundante com água e sabão por pelo menos 15 minutos, seguida de antissepsia. O debridamento de tecidos desvitalizados é fundamental. A sutura primária de feridas por mordedura de cão é geralmente desaconselhada devido ao alto risco de infecção, especialmente em feridas profundas, irregulares ou em áreas como mãos e face, onde a infecção pode ter consequências graves. A imunização passiva (imunoglobulina antirrábica humana - IGRH) e ativa (vacina antirrábica) são componentes essenciais da PEP em casos de alto risco. A IGRH oferece proteção imediata, enquanto a vacina estimula a produção de anticorpos a longo prazo. A combinação de ambas é indicada em exposições graves ou quando o animal não pode ser avaliado, garantindo a máxima proteção contra a raiva.
Os primeiros passos incluem lavagem extensa da ferida com água e sabão, debridamento de tecidos desvitalizados e avaliação da necessidade de profilaxia antitetânica e antirrábica.
A imunização passiva é indicada em exposições graves (mordidas profundas, múltiplas, em face, pescoço, mãos, pés ou genitália) ou quando o animal é desconhecido/não observável, fornecendo proteção imediata.
A sutura primária é frequentemente contraindicada em mordidas de cão devido ao alto risco de infecção, especialmente em feridas profundas, irregulares ou em locais de alto risco. A sutura deve ser postergada ou realizada de forma secundária.
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