Raiva: Profilaxia Pós-Exposição em Mordeduras de Cães

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 20 anos é mordido por cachorro da vizinhança. São arranhaduras superficiais na perna direita. O vizinho está em férias e não se sabe qual é a condição do animal, mas, no terceiro dia pós-mordedura, o cachorro desaparece. Recomenda-se, nesse momento:

Alternativas

  1. A) administrar 4 doses de vacina contra raiva (O, 3, 7 e 14).
  2. B) administrar 5 doses de vacina contra raiva (O, 3, 7, 14 e 28).
  3. C) administrar 3 doses de vacina contra raiva (O, 7 e 14).
  4. D) observar o paciente por mais 7 dias; caso não desenvolva nenhum sintoma, não é necessário aplicar nenhuma dose de vacina.
  5. E) localizar o cachorro e observar, por mais 7 dias, se ele apresenta algum sintoma raivoso.

Pérola Clínica

Mordedura por animal desconhecido/desaparecido com lesão superficial → esquema vacinal completo (4 doses) para raiva.

Resumo-Chave

Em casos de exposição a animais suspeitos ou desconhecidos que desaparecem, mesmo com lesões superficiais, a profilaxia pós-exposição para raiva é mandatória. O esquema vacinal completo é indicado devido à impossibilidade de observação do animal e ao risco potencial de transmissão da doença.

Contexto Educacional

A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal, transmitida ao homem principalmente pela saliva de animais infectados, através de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de mucosas. A profilaxia pós-exposição (PPE) é crucial e deve ser iniciada o mais rápido possível após a exposição, baseando-se no tipo de exposição, na espécie do animal agressor e nas condições de observação do animal. A decisão de vacinar e/ou administrar soro é guiada por protocolos específicos do Ministério da Saúde. A conduta em casos de mordedura por cães ou gatos depende da possibilidade de observação do animal. Se o animal for conhecido e puder ser observado por 10 dias, a vacinação humana pode ser suspensa caso o animal permaneça saudável. No entanto, se o animal for desconhecido, silvestre, ou desaparecer após a agressão, a profilaxia completa é mandatória, mesmo para lesões superficiais. O esquema vacinal padrão para não vacinados é de 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14), e o soro é adicionado em lesões graves. Para residentes, é fundamental dominar o algoritmo de decisão da profilaxia antirrábica. A avaliação da gravidade da lesão, a identificação da espécie do animal agressor e a possibilidade de observação são os pilares para uma conduta correta. A não adesão ao protocolo pode ter consequências devastadoras, dada a letalidade da raiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar a profilaxia pós-exposição para raiva?

A profilaxia é indicada em casos de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de mucosas por animais suspeitos, silvestres ou desconhecidos, especialmente se o animal não puder ser observado por 10 dias.

Qual o esquema vacinal para raiva em caso de exposição por animal desaparecido?

Para lesões superficiais por animal desaparecido, o esquema vacinal completo de 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14) é recomendado, sem necessidade de soro antirrábico.

Quando o soro antirrábico é indicado na profilaxia?

O soro antirrábico é indicado em lesões graves (profundas, múltiplas, em áreas de alto risco como cabeça, pescoço, mãos, pés) ou em casos de exposição por morcegos ou outros animais silvestres, sempre em conjunto com a vacina.

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