Mordedura de Cão Vacinado: Conduta e Profilaxia da Raiva

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Escolar, seis anos, sexo masculino, foi mordido por um cão e levado duas horas depois por seus pais à emergência. O cão é conhecido e está com as vacinas em dia. A criança tem esquema vacinal atualizado. A mordedura ocorreu na região abdominal. Exame da pele: lesão de 4cm de diâmetro, bem superficial, sem sinais inflamatórios na região abdominal. O procedimento correto é

Alternativas

  1. A) observar o animal por dez dias pós-exposição.
  2. B) administrar imunoglobulina antirrábica e toxoide tetânico.
  3. C) administrar esquema de quatro doses de vacina antirrábica.
  4. D) observar o animal e administrar 1ª dose de vacina antirrábica.

Pérola Clínica

Mordedura por cão conhecido e vacinado, lesão superficial → Observar animal por 10 dias.

Resumo-Chave

Em casos de mordedura por animal doméstico conhecido e com vacinação antirrábica em dia, sem sinais de raiva, a conduta inicial é observar o animal por 10 dias. A profilaxia antirrábica humana só é indicada se o animal desenvolver sintomas de raiva ou se for desconhecido/não vacinado.

Contexto Educacional

A raiva é uma zoonose viral grave, com letalidade de quase 100% após o início dos sintomas, tornando a profilaxia pós-exposição (PPE) um pilar fundamental da saúde pública. A correta avaliação do risco e a indicação adequada da PPE são cruciais para evitar mortes e otimizar recursos. A epidemiologia da raiva no Brasil tem mudado, com a raiva urbana controlada em muitas áreas, mas a raiva silvestre ainda representa um desafio, especialmente por morcegos. O diagnóstico da raiva em animais é feito por exames laboratoriais, mas a observação clínica é a base para a conduta inicial em humanos. A decisão de iniciar a PPE depende de fatores como o tipo de animal agressor (doméstico vs. silvestre), seu status vacinal, se é conhecido ou desconhecido, e a gravidade da lesão. Lesões superficiais por animais domésticos conhecidos e vacinados geralmente requerem apenas observação do animal. O tratamento da mordedura envolve limpeza rigorosa da ferida com água e sabão, avaliação da necessidade de profilaxia antitetânica e, se indicado, a vacina antirrábica e/ou imunoglobulina. A vacina antirrábica é administrada em esquema de doses, e a imunoglobulina é infiltrada na ferida e aplicada intramuscularmente. A compreensão dessas diretrizes é vital para residentes, garantindo a segurança do paciente e a racionalização do uso de recursos.

Perguntas Frequentes

Quando a vacina antirrábica humana é indicada após mordedura de cão?

A vacina antirrábica humana é indicada se o animal for desconhecido, não vacinado, ou se desenvolver sinais de raiva durante o período de observação de 10 dias. Também é indicada para lesões graves ou em áreas de alto risco (cabeça, pescoço, mãos).

Qual o período de observação para um animal que mordeu?

O período de observação para cães e gatos que morderam é de 10 dias. Se o animal permanecer saudável durante esse período, não há risco de transmissão da raiva.

É necessário administrar imunoglobulina antirrábica em todos os casos de mordedura?

Não, a imunoglobulina antirrábica é reservada para casos de alto risco, como lesões graves, mordeduras por animais suspeitos ou desconhecidos, e em pacientes imunocomprometidos, sempre em conjunto com a vacina.

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