Profilaxia Antirrábica: Conduta em Mordedura de Gato

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Escolar, sexo masculino, de 9 anos, é levado à Unidade Básica de Saúde (UBS) após ter sofrido uma mordida superficial na região do antebraço esquerdo enquanto brincava com um gato desconhecido que apareceu na propriedade rural onde reside com a família. A mãe relata que o animal fugiu logo após o incidente, impossibilitando sua captura para observação. O exame físico revela uma lesão única, superficial, em região dorsal do pé esquerdo, próxima ao tornozelo, sem sinais de infecção inicial ou edema. A família informa que a criança nunca foi vacinada contra a raiva. A equipe médica discute a implementação das medidas de profilaxia antirrábica. Com base no quadro descrito e nas orientações atuais do Ministério da Saúde sobre profilaxia antirrábica, qual é a conduta mais adequada para este caso?

Alternativas

  1. A) Higienização criteriosa da ferida, início de quatro doses de vacina antirrábica e administração de soro antirrábico.
  2. B) Higienização da ferida, administração de quatro doses de vacina antirrábica sem necessidade de soro.
  3. C) Higienização da ferida, administração de duas doses de vacina antirrábica sem necessidade de soro.
  4. D) Higienização da ferida e administração de três doses de vacina antirrábica, acompanhadas de soroprofilaxia com imunoglobulina antirrábica.
  5. E) Higienização da ferida e acompanhamento clínico do paciente, sem necessidade de vacinação, considerando a superficialidade da lesão.

Pérola Clínica

Gato/Cão desaparecido + ferimento em extremidade (pé) = Acidente Grave → Vacina (4 doses) + Soro.

Resumo-Chave

Acidentes com gatos que fogem (não podem ser observados) em áreas rurais são tratados como alto risco. Ferimentos em mãos e pés são classificados como graves, exigindo soro e vacina.

Contexto Educacional

A raiva humana é uma doença viral quase 100% letal, o que justifica protocolos de profilaxia pós-exposição (PEP) rigorosos. No Brasil, o manejo é guiado pela espécie do animal, o tipo de ferimento e a possibilidade de observação do animal por 10 dias. Em áreas rurais, o risco de transmissão por variantes silvestres é maior. Quando um gato ou cão morde e foge, ele é considerado 'animal desaparecido ou suspeito'. Se o ferimento for em local de alta inervação (como o pé), a classificação de 'Acidente Grave' impõe a necessidade de imunização passiva (soro ou imunoglobulina) para fornecer anticorpos imediatos, enquanto a vacina estimula a produção endógena de anticorpos ao longo das semanas seguintes.

Perguntas Frequentes

Como classificar um acidente como 'grave' para profilaxia da raiva?

Segundo o Ministério da Saúde, acidentes graves incluem: mordeduras na cabeça, face, pescoço, mãos, polpas digitais e plantas dos pés; ferimentos profundos, múltiplos ou extensos em qualquer parte do corpo; lambedura de mucosas; ou qualquer ferimento causado por animais silvestres (incluindo morcegos). No caso de cães e gatos, se o animal for suspeito, raivoso ou desaparecer/morrer após o acidente, a conduta deve ser de acidente grave se o ferimento for em local de risco ou profundo.

Qual o esquema vacinal para profilaxia pós-exposição da raiva?

O esquema atual do Ministério da Saúde para profilaxia pós-exposição (quando indicada) consiste em 4 doses de vacina antirrábica, administradas nos dias 0, 3, 7 e 14. Se houver indicação de soro (acidentes graves com animais suspeitos/desaparecidos), este deve ser administrado o mais precocemente possível, preferencialmente infiltrado na ferida, até o 7º dia após a primeira dose da vacina.

Por que ferimentos no pé são considerados graves no protocolo de raiva?

Embora o pé seja uma extremidade distal, as extremidades (mãos e pés) possuem uma densidade muito alta de terminações nervosas. Como o vírus da raiva é neurotrópico e viaja através dos nervos periféricos até o sistema nervoso central, ferimentos nessas áreas facilitam a entrada e a progressão viral, diminuindo o tempo de incubação e aumentando o risco de doença fatal antes que a resposta vacinal se complete.

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