HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Escolar, sexo masculino, de 9 anos, é levado à Unidade Básica de Saúde (UBS) após ter sofrido uma mordida superficial na região do antebraço esquerdo enquanto brincava com um gato desconhecido que apareceu na propriedade rural onde reside com a família. A mãe relata que o animal fugiu logo após o incidente, impossibilitando sua captura para observação. O exame físico revela uma lesão única, superficial, em região dorsal do pé esquerdo, próxima ao tornozelo, sem sinais de infecção inicial ou edema. A família informa que a criança nunca foi vacinada contra a raiva. A equipe médica discute a implementação das medidas de profilaxia antirrábica. Com base no quadro descrito e nas orientações atuais do Ministério da Saúde sobre profilaxia antirrábica, qual é a conduta mais adequada para este caso?
Gato/Cão desaparecido + ferimento em extremidade (pé) = Acidente Grave → Vacina (4 doses) + Soro.
Acidentes com gatos que fogem (não podem ser observados) em áreas rurais são tratados como alto risco. Ferimentos em mãos e pés são classificados como graves, exigindo soro e vacina.
A raiva humana é uma doença viral quase 100% letal, o que justifica protocolos de profilaxia pós-exposição (PEP) rigorosos. No Brasil, o manejo é guiado pela espécie do animal, o tipo de ferimento e a possibilidade de observação do animal por 10 dias. Em áreas rurais, o risco de transmissão por variantes silvestres é maior. Quando um gato ou cão morde e foge, ele é considerado 'animal desaparecido ou suspeito'. Se o ferimento for em local de alta inervação (como o pé), a classificação de 'Acidente Grave' impõe a necessidade de imunização passiva (soro ou imunoglobulina) para fornecer anticorpos imediatos, enquanto a vacina estimula a produção endógena de anticorpos ao longo das semanas seguintes.
Segundo o Ministério da Saúde, acidentes graves incluem: mordeduras na cabeça, face, pescoço, mãos, polpas digitais e plantas dos pés; ferimentos profundos, múltiplos ou extensos em qualquer parte do corpo; lambedura de mucosas; ou qualquer ferimento causado por animais silvestres (incluindo morcegos). No caso de cães e gatos, se o animal for suspeito, raivoso ou desaparecer/morrer após o acidente, a conduta deve ser de acidente grave se o ferimento for em local de risco ou profundo.
O esquema atual do Ministério da Saúde para profilaxia pós-exposição (quando indicada) consiste em 4 doses de vacina antirrábica, administradas nos dias 0, 3, 7 e 14. Se houver indicação de soro (acidentes graves com animais suspeitos/desaparecidos), este deve ser administrado o mais precocemente possível, preferencialmente infiltrado na ferida, até o 7º dia após a primeira dose da vacina.
Embora o pé seja uma extremidade distal, as extremidades (mãos e pés) possuem uma densidade muito alta de terminações nervosas. Como o vírus da raiva é neurotrópico e viaja através dos nervos periféricos até o sistema nervoso central, ferimentos nessas áreas facilitam a entrada e a progressão viral, diminuindo o tempo de incubação e aumentando o risco de doença fatal antes que a resposta vacinal se complete.
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