HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2024
Considere o quadro clínico a seguir: Paciente de 8 anos, sexo masculino, é levado a unidade básica de saúde pela sua avó, devido a mordedura de cão na região da planta do pé direito e em palma da mão esquerda. Os ferimentos eram superficiais, pouco extensos. O acidente ocorreu, pois, a criança colocou a mão e os pés dentro da grade onde o cão, que pertence ao vizinho, estava. O cão encontra-se aparentemente bem, sem sinais de doenças. Assinale a alternativa que apresenta a MELHOR abordagem neste caso.
Mordedura por cão conhecido e sadio, ferimento superficial → lavar com água e sabão e observar o animal por 10 dias.
A conduta em casos de mordedura por animais depende de vários fatores: tipo de animal, se é conhecido/desconhecido, estado de saúde do animal e tipo de ferimento. Para cães e gatos conhecidos e sadios, com ferimentos superficiais, a observação do animal é a principal medida, sem necessidade de vacinação inicial.
A abordagem de mordeduras de animais é um tema relevante na atenção primária e emergência, com foco na prevenção da raiva, uma zoonose fatal. A raiva é transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por mordedura. No Brasil, os principais transmissores são cães, gatos e morcegos. A profilaxia pós-exposição é crucial e deve seguir protocolos específicos do Ministério da Saúde, que consideram o tipo de animal, o status de saúde do animal, o tipo de exposição e a localização do ferimento. No caso clínico apresentado, trata-se de mordedura por cão conhecido (do vizinho) e aparentemente sadio, com ferimentos superficiais e pouco extensos. Nestas condições, a conduta recomendada é lavar o ferimento com água e sabão e observar o animal por 10 dias. Se o animal permanecer sadio durante esse período, não há risco de transmissão da raiva, e o caso é encerrado sem necessidade de vacinação ou soro. Esta abordagem visa evitar a profilaxia desnecessária, que pode ter efeitos adversos e custos. É importante ressaltar que a profilaxia com vacina e/ou soro antirrábico é indicada em situações de maior risco, como mordeduras por animais silvestres, desconhecidos, ou por cães/gatos que apresentem sinais de raiva ou morram durante a observação. Ferimentos graves, profundos ou em regiões de alta inervação (cabeça, face, pescoço, extremidades) também podem justificar a profilaxia imediata, mesmo com animal conhecido, até que se confirme a saúde do animal. A decisão deve ser sempre baseada em uma avaliação de risco cuidadosa e nas diretrizes locais.
A primeira e mais importante medida é lavar o ferimento abundantemente com água e sabão por pelo menos 15 minutos. Isso ajuda a remover o vírus da raiva e outras sujidades, reduzindo o risco de infecção.
A observação do animal por 10 dias é indicada para cães e gatos, quando o animal é conhecido, domiciliado e aparentemente sadio. Se o animal permanecer sadio durante esse período, não há risco de transmissão da raiva e a profilaxia não é necessária.
A vacina e/ou soro são indicados em casos de mordeduras por animais silvestres, desconhecidos, ou por cães/gatos que adoecem ou morrem durante o período de observação. Ferimentos profundos, extensos ou em áreas de alto risco (cabeça, pescoço, face, mãos, pés) também podem indicar profilaxia imediata, mesmo com animal conhecido, dependendo da avaliação de risco.
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