Profilaxia da Raiva em Acidentes com Animais Silvestres

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Ao passear em um parque, uma criança de 7 anos foi mordida, no polegar direito, por um sagui, formando-se um ferimento superficial. Sobre a imunoprofilaxia da raiva, nesse caso, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Não há necessidade de imunoprofilaxia, porque macaco não transmite a raiva.
  2. B) Não há necessidade de profilaxia nesses casos, pois se trata de ferimento leve.
  3. C) Devem ser realizadas a administração de vacina em quatro doses e a profilaxia com soro (SAR) ou imunoglobulina antirrábica.
  4. D) É indicada a administração de vacina contra a raiva em um total de 6 doses.

Pérola Clínica

Mordida de animal silvestre (sagui) = Acidente grave → Vacina + Soro/IG.

Resumo-Chave

Acidentes com animais silvestres (incluindo primatas) são sempre considerados graves. A conduta exige vacinação completa (4 doses) e soroprofilaxia imediata.

Contexto Educacional

A raiva é uma encefalite viral progressiva e aguda com taxa de letalidade de quase 100%. No Brasil, embora o ciclo urbano (cão e gato) esteja controlado em muitas regiões, o ciclo silvestre representa um desafio crescente. Primatas não humanos, como os saguis, são frequentemente envolvidos em acidentes devido à proximidade com humanos em parques e áreas periurbanas. A profilaxia pós-exposição (PPE) deve ser iniciada o mais rápido possível. O vírus da raiva tem um período de incubação variável, e a imunização passiva (soro) fornece anticorpos imediatos enquanto a imunização ativa (vacina) estimula a produção endógena de anticorpos. O cumprimento rigoroso do calendário vacinal e a infiltração correta do soro na ferida são determinantes para o sucesso do tratamento e a sobrevivência do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que acidentes com saguis são considerados graves?

No Brasil, os primatas não humanos, como o sagui (Callithrix jacchus), são considerados reservatórios e transmissores do vírus da raiva, especialmente em áreas onde o ciclo silvestre é prevalente. De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer exposição (mordedura, arranhadura ou lambedura) por animais silvestres é classificada como um acidente grave, independentemente da localização ou profundidade do ferimento. Isso ocorre porque não é possível observar o animal silvestre quanto ao desenvolvimento da doença, e a letalidade da raiva humana é próxima de 100%. Portanto, a conduta profilática deve ser imediata e completa, visando neutralizar o vírus antes que ele atinja o sistema nervoso central.

Qual o esquema vacinal recomendado para acidentes graves?

Para acidentes classificados como graves (como mordeduras de animais silvestres, morcegos ou ferimentos profundos/múltiplos por cães e gatos), o esquema de profilaxia pós-exposição consiste em 4 doses de vacina antirrábica, administradas nos dias 0, 3, 7 e 14. Além da vacinação, é obrigatória a administração de soro antirrábico (SAR) ou imunoglobulina antirrábica humana (IGHAR) o mais precocemente possível, preferencialmente infiltrando a maior quantidade possível ao redor da lesão e o restante por via intramuscular.

Existe diferença na conduta entre animais domésticos e silvestres?

Sim, a principal diferença reside na possibilidade de observação. Cães e gatos domésticos podem ser observados por 10 dias; se permanecerem saudáveis, a profilaxia pode ser suspensa ou nem iniciada (dependendo do tipo de ferimento). Já animais silvestres (saguis, raposas, morcegos) não podem ser observados para fins de descarte de raiva. Por isso, o tratamento é sempre iniciado como acidente grave. No caso de morcegos, qualquer contato direto é motivo para profilaxia completa com soro e vacina, mesmo que não haja ferimento visível.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo