Mordedura de Cão: Abordagem e Profilaxia da Raiva

PSU-ES - Processo Seletivo Unificado do Espírito Santo — Prova 2024

Enunciado

Considere o quadro clínico a seguir:Paciente de 8 anos, sexo masculino, é levado a unidade básica de saúde pela sua avó, devido a mordedura de cão na região da planta do pé direito e em palma da mão esquerda. Os ferimentos eram superficiais, pouco extensos. O acidente ocorreu, pois, a criança colocou a mão e os pés dentro da grade onde o cão, que pertence ao vizinho, estava. O cão encontra-se aparentemente bem, sem sinais de doenças.Assinale a alternativa que apresenta a MELHOR abordagem neste caso.

Alternativas

  1. A) Lavar com água e sabão e observar o animal durante 10 dias após o acidente, se o animal permanecer sadio, encerrar o caso.
  2. B) Lavar com água e sabão, iniciar esquema profilático com soro e 4 doses de vacina, até completar todo o ciclo.
  3. C) Lavar com água e sabão, iniciar o esquema profilático com 4 doses de vacina e observar o animal durante 10 dias. Se o animal permanecer sadio, completar o ciclo de vacinas e encerrar o caso.
  4. D) Lavar com água e sabão, iniciar esquema profilático com duas doses de vacina e observar o animal durante 10 dias. Se o animal permanecer sadio, encerrar o caso.

Pérola Clínica

Mordedura por cão conhecido e sadio, ferimento superficial → Lavar + Observar animal por 10 dias, sem profilaxia se sadio.

Resumo-Chave

Em casos de mordedura por cão ou gato conhecido e aparentemente saudável, com ferimentos superficiais e pouco extensos, a conduta inicial é a limpeza rigorosa da ferida com água e sabão. O animal deve ser observado por 10 dias; se permanecer sadio, a profilaxia antirrábica não é necessária.

Contexto Educacional

A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal, transmitida principalmente pela saliva de animais infectados através de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de mucosas. A profilaxia pós-exposição é crucial para prevenir a doença em humanos. A decisão de iniciar a profilaxia depende de uma avaliação cuidadosa do risco, considerando o tipo de animal, as circunstâncias da exposição e a natureza da lesão. A fisiopatologia da raiva envolve a replicação viral no local da inoculação, seguida de migração retrógrada pelos nervos periféricos até o sistema nervoso central, onde causa encefalite. O diagnóstico em humanos é feito post-mortem, o que ressalta a importância da prevenção. A avaliação do risco inclui a espécie do animal (cães e gatos são os principais transmissores em áreas urbanas), seu estado de saúde aparente, a possibilidade de observação e se a mordedura foi provocada ou não. A abordagem inicial para qualquer mordedura animal é a limpeza rigorosa da ferida com água e sabão por pelo menos 15 minutos, seguida de antissepsia. Para mordeduras de cães e gatos conhecidos e sadios, a observação do animal por 10 dias é a conduta padrão. Se o animal permanecer saudável, não há necessidade de vacinação. Se o animal adoecer, morrer ou desaparecer, a profilaxia com vacina antirrábica e, em casos de ferimentos graves, soro antirrábico, deve ser iniciada imediatamente.

Perguntas Frequentes

Quando a profilaxia antirrábica é indicada após mordedura de cão?

A profilaxia é indicada se o animal for desconhecido, selvagem, com sinais de raiva, ou se não puder ser observado. Para cães e gatos conhecidos e sadios, a observação por 10 dias é a conduta inicial.

Qual a importância da lavagem da ferida após mordedura de animal?

A lavagem imediata e abundante da ferida com água e sabão é crucial, pois reduz significativamente a carga viral e o risco de infecção pelo vírus da raiva, sendo a medida mais importante no local.

Quais fatores influenciam a decisão de iniciar a profilaxia antirrábica?

Fatores incluem o tipo de animal (doméstico, selvagem), seu estado de saúde, a possibilidade de observação, a localização e profundidade da ferida, e se a mordedura foi provocada ou não.

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