Conduta em Mordedura de Cão: Profilaxia da Raiva

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Uma médica, durante plantão em serviço de emergência, atendeu um paciente com múltiplas lesões no antebraço direito, vítima de mordedura de cão que ocorrera há 3 horas. O acidente ocorreu na rua, mas o dono do animal foi identificado. O caso deverá ser conduzido por ela de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, que recomenda:

Alternativas

  1. A) Iniciar o esquema de vacinação e observar o animal por 10 dias.
  2. B) Aplicar o soro antirábico e a vacina por 10 dias.
  3. C) Observar o cão durante 10 dias após a exposição, para iniciar a vacinação antirábica.
  4. D) Aplicar soro antirábico (dose única) no 10º dia de observação do animal.
  5. E) Sacrificar o animal imediatamente para evitar contaminação.

Pérola Clínica

Cão passível de observação + acidente leve/moderado → Iniciar vacina imediatamente e observar animal por 10 dias.

Resumo-Chave

Em acidentes com cães identificáveis, o protocolo do Ministério da Saúde preconiza iniciar o esquema vacinal e observar o animal. Se o cão permanecer sadio por 10 dias, o esquema pode ser suspenso.

Contexto Educacional

A raiva é uma doença com letalidade de quase 100%, tornando a profilaxia pós-exposição uma das condutas mais críticas na emergência. O protocolo brasileiro divide os acidentes em leves e graves e considera a condição do animal (sadio, suspeito ou raivoso/silvestre). Para cães e gatos domiciliados e passíveis de observação, a estratégia de 'iniciar vacina e observar' permite proteção imediata ao paciente enquanto se confirma a sanidade do animal. Se ao 10º dia o animal estiver bem, encerra-se o caso. Essa abordagem equilibra a segurança do paciente com o uso racional de imunobiológicos.

Perguntas Frequentes

Quando indicar soro antirrábico?

O soro antirrábico (ou imunoglobulina) é indicado em acidentes graves, como mordeduras múltiplas, profundas, em face, cabeça, pescoço, mãos ou pés, ou quando o animal é silvestre ou suspeito/raivoso. Em acidentes leves com animais que podem ser observados, geralmente inicia-se apenas a vacina.

Por que observar o animal por 10 dias?

O período de 10 dias é baseado na fisiopatologia da raiva no cão e no gato. O vírus só é transmitido pela saliva quando o animal já está na fase terminal da doença, e um animal infectado que já está transmitindo o vírus invariavelmente morrerá ou apresentará sintomas claros dentro desse intervalo de 10 dias.

O que fazer se o cão desaparecer durante a observação?

Se o animal morrer, desaparecer ou se tornar raivoso durante o período de observação de 10 dias, o protocolo deve ser imediatamente alterado para o esquema de acidente grave, completando a vacinação e administrando o soro antirrábico, caso ainda não tenha sido feito.

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