FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Paciente masculino, 8 anos, foi mordido pelo cachorro da vizinha, enquanto brincava no quintal da casa dela. A vizinha refere que o animal está bem de saúde, que não sai de casa, porém não foi vacinado na última campanha de vacinação contra raiva. No atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), observou-se que o cachorro provocou ferimento leve no membro inferior direito, com mordedura superficial e pouco extensa. Qual a conduta?
Mordedura leve por cão não vacinado, animal sadio e observável → Observar animal 10 dias, lavar ferimento.
Em casos de mordedura por cão com ferimento leve, se o animal for conhecido, sadio e puder ser observado por 10 dias, a conduta inicial é lavar o ferimento com água e sabão. A profilaxia antirrábica humana (vacina e/ou soro) só será iniciada se o animal desenvolver sinais de raiva, morrer ou desaparecer durante o período de observação.
A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal, transmitida ao homem principalmente pela saliva de animais infectados, através de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras de mucosas. A profilaxia pós-exposição é crucial para prevenir a doença. A conduta após uma mordedura de animal depende de vários fatores, incluindo o tipo de animal, o status vacinal, a gravidade do ferimento e a possibilidade de observação do animal. A fisiopatologia da raiva envolve a replicação viral no local da inoculação, seguida de migração retrógrada pelos nervos periféricos até o sistema nervoso central, onde causa encefalite. A prevenção é a chave, e a lavagem imediata e abundante do ferimento com água e sabão é a primeira e mais importante medida. No caso de mordedura por cão ou gato, a avaliação do animal agressor é fundamental. Se o animal for conhecido, sadio, domiciliado e puder ser observado por 10 dias, e o ferimento for leve (superficial, pouco extenso, sem laceração), a conduta inicial é apenas a lavagem do ferimento e a observação do animal. A profilaxia antirrábica humana (vacina e/ou soro) será iniciada apenas se o animal morrer, desaparecer ou desenvolver sinais de raiva durante o período de observação. Essa estratégia racionaliza o uso de imunobiológicos e evita tratamentos desnecessários.
A lavagem exaustiva do ferimento com água e sabão é a medida mais importante e eficaz para reduzir o risco de infecção pelo vírus da raiva, pois remove partículas virais do local.
A observação do animal por 10 dias é indicada quando o animal é conhecido, sadio, domiciliado e não vacinado ou com vacinação atrasada, e o ferimento na pessoa é leve.
A profilaxia completa é indicada em ferimentos graves (profundos, múltiplos, em áreas de alto risco como cabeça e pescoço) ou quando o animal agressor é desconhecido, silvestre, ou apresenta sinais de raiva.
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