Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Paciente procura emergência após mordida de cachorro desconhecido em rua pública. Apresenta lesão superficial em mão direita, sangramento discreto. Esquema vacinal antirrábico prévio é desconhecido. Assinale a alternativa que indica a conduta profilática correta:
Mordida em mão por animal desconhecido → Lavar + Vacina + Soro (Imunoglobulina).
Ferimentos em extremidades (mãos/pés) ou cabeça são considerados graves. Se o animal é desconhecido, inicia-se o esquema vacinal completo e avalia-se soro/imunoglobulina.
A raiva é uma encefalite viral aguda com letalidade próxima a 100%, tornando a profilaxia pós-exposição (PPE) uma intervenção de urgência absoluta. O protocolo brasileiro orienta que, em casos de agressão por cães ou gatos desconhecidos que não podem ser observados por 10 dias, o paciente deve ser tratado como se o animal fosse raivoso. Lesões em mãos são categorizadas como graves devido à rica inervação periférica, o que facilita a migração do vírus para o sistema nervoso central. O esquema vacinal atual envolve 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14). Além da raiva, deve-se sempre avaliar a necessidade de profilaxia antitetânica e o uso de antibióticos para prevenir infecções secundárias por germes da microbiota oral do animal.
O risco é classificado com base na espécie do animal, seu estado de saúde e a gravidade/localização do ferimento. Acidentes leves envolvem lambedura de pele íntegra ou ferimentos superficiais em tronco e membros por animais domésticos observáveis. Acidentes graves incluem qualquer ferimento por animais silvestres, ferimentos profundos, múltiplos, ou localizados em face, pescoço, mãos e pés, além de qualquer ferimento por animal desconhecido ou que venha a óbito.
O soro antirrábico ou a imunoglobulina humana antirrábica (IGHAR) são indicados em acidentes graves, especialmente quando o animal é silvestre, desconhecido ou suspeito de raiva. O objetivo é fornecer anticorpos imediatos enquanto o organismo inicia a produção endógena via vacinação. Deve ser aplicado o mais precocemente possível, preferencialmente infiltrado na base da lesão.
O cuidado local é a medida mais importante para reduzir a carga viral. Deve-se realizar a limpeza rigorosa com água e sabão ou detergente, pois o vírus da raiva é sensível a agentes tensoativos. O uso de antissépticos como povidine ou álcool 70% também é recomendado. A sutura do ferimento deve ser evitada; se necessária, deve ser feita de forma frouxa e após a infiltração local de soro.
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