Conduta em Mordida de Cão: Profilaxia Antirrábica

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente procura emergência após mordida de cachorro desconhecido em rua pública. Apresenta lesão superficial em mão direita, sangramento discreto. Esquema vacinal antirrábico prévio é desconhecido. Assinale a alternativa que indica a conduta profilática correta:

Alternativas

  1. A) Iniciar somente vacina antitetânica, sem considerar raiva.
  2. B) Apenas prescrever antibiótico oral profilático.
  3. C) Observar evolução do ferimento por 10 dias, sem profilaxia.
  4. D) Lavar ferida com água e sabão, iniciar esquema vacinal antirrábico completo e avaliar indicação de imunoglobulina hiperimune.
  5. E) Indicar imunoglobulina antirrábica isolada, sem vacinação.

Pérola Clínica

Mordida em mão por animal desconhecido → Lavar + Vacina + Soro (Imunoglobulina).

Resumo-Chave

Ferimentos em extremidades (mãos/pés) ou cabeça são considerados graves. Se o animal é desconhecido, inicia-se o esquema vacinal completo e avalia-se soro/imunoglobulina.

Contexto Educacional

A raiva é uma encefalite viral aguda com letalidade próxima a 100%, tornando a profilaxia pós-exposição (PPE) uma intervenção de urgência absoluta. O protocolo brasileiro orienta que, em casos de agressão por cães ou gatos desconhecidos que não podem ser observados por 10 dias, o paciente deve ser tratado como se o animal fosse raivoso. Lesões em mãos são categorizadas como graves devido à rica inervação periférica, o que facilita a migração do vírus para o sistema nervoso central. O esquema vacinal atual envolve 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14). Além da raiva, deve-se sempre avaliar a necessidade de profilaxia antitetânica e o uso de antibióticos para prevenir infecções secundárias por germes da microbiota oral do animal.

Perguntas Frequentes

Como classificar o risco de um acidente rábico?

O risco é classificado com base na espécie do animal, seu estado de saúde e a gravidade/localização do ferimento. Acidentes leves envolvem lambedura de pele íntegra ou ferimentos superficiais em tronco e membros por animais domésticos observáveis. Acidentes graves incluem qualquer ferimento por animais silvestres, ferimentos profundos, múltiplos, ou localizados em face, pescoço, mãos e pés, além de qualquer ferimento por animal desconhecido ou que venha a óbito.

Quando indicar o soro ou imunoglobulina?

O soro antirrábico ou a imunoglobulina humana antirrábica (IGHAR) são indicados em acidentes graves, especialmente quando o animal é silvestre, desconhecido ou suspeito de raiva. O objetivo é fornecer anticorpos imediatos enquanto o organismo inicia a produção endógena via vacinação. Deve ser aplicado o mais precocemente possível, preferencialmente infiltrado na base da lesão.

Qual o cuidado local imediato na mordedura?

O cuidado local é a medida mais importante para reduzir a carga viral. Deve-se realizar a limpeza rigorosa com água e sabão ou detergente, pois o vírus da raiva é sensível a agentes tensoativos. O uso de antissépticos como povidine ou álcool 70% também é recomendado. A sutura do ferimento deve ser evitada; se necessária, deve ser feita de forma frouxa e após a infiltração local de soro.

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