Violência Sexual: Profilaxia Pós-Exposição para ISTs

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2016

Enunciado

Em uma cidade de grande porte do Brasil, a expansão da cobertura pela Estratégia de Saúde da Família tem se confrontado com o aumento da incidência de casos novos de tuberculose em todas as áreas do município. Contudo, as áreas de menor IDH apresentam índices ainda mais elevados. Uma das primeiras medidas tomadas foi a descentralização do diagnóstico e tratamento da tuberculose para as unidades de Saúde da Família. Uma das equipes de saúde da família recebeu recentemente uma jovem de 27 anos que foi vítima de violência sexual. Ela vem acompanhada de sua irmã, está visivelmente transtornada e atônita. A irmã informa ao médico que a violência foi praticada por mais de um agressor que mantiveram coitos anal e vaginal com a vítima.Na história, a vítima afirma que está com amenorreia há quatro semanas e que viria esta semana realizar um exame de gravidez. O médico providencia a profilaxia pós-exposição para infecções sexualmente transmissíveis não virais e virais. Em relação à profilaxia de infecções por sífilis, gonorreia, clamídia e cancro mole, indique o esquema farmacológico que deve ser preconizado. 

Alternativas

Pérola Clínica

Violência sexual: PPE para ISTs inclui Ceftriaxona + Azitromicina + Metronidazol + profilaxia HIV/HBV.

Resumo-Chave

A profilaxia pós-exposição (PPE) para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) após violência sexual é crucial e deve ser iniciada o mais rápido possível. O esquema preconizado abrange sífilis, gonorreia, clamídia, cancro mole, HIV e hepatite B, com medicamentos específicos para cada agente.

Contexto Educacional

O atendimento à vítima de violência sexual é uma situação complexa que exige uma abordagem multidisciplinar, humanizada e baseada em protocolos claros. A profilaxia pós-exposição (PPE) para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez é um componente crítico desse manejo, visando minimizar os danos à saúde física e mental da vítima. A janela de tempo para a intervenção é crucial, especialmente para a profilaxia do HIV. A profilaxia para ISTs bacterianas e protozoárias deve ser administrada o mais rápido possível. Para gonorreia, a Ceftriaxona 500 mg IM em dose única é a escolha. Para clamídia e cancro mole, a Azitromicina 1g VO em dose única é recomendada. Para sífilis, a Benzilpenicilina Benzatina 2.400.000 UI IM em dose única é indicada. O Metronidazol 2g VO em dose única também é incluído para cobrir tricomoníase e vaginose bacteriana. Além das ISTs não virais, a profilaxia para HIV (com esquema antirretroviral por 28 dias, iniciado em até 72 horas) e Hepatite B (vacina e/ou imunoglobulina, dependendo do status vacinal e sorológico da vítima e do agressor) é essencial. A contracepção de emergência também deve ser oferecida, considerando a amenorreia e a possibilidade de gravidez pré-existente, que deve ser investigada. O suporte psicossocial e a notificação são partes integrantes do cuidado.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema farmacológico para profilaxia de sífilis, gonorreia, clamídia e cancro mole após violência sexual?

O esquema preconizado inclui: Ceftriaxona 500 mg IM dose única (gonorreia), Azitromicina 1g VO dose única (clamídia e cancro mole), e Metronidazol 2g VO dose única (tricomoníase e vaginose bacteriana). Para sífilis, Benzilpenicilina Benzatina 2.400.000 UI IM dose única.

Quando deve ser iniciada a profilaxia pós-exposição para HIV após violência sexual?

A profilaxia para HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 2 horas e, no máximo, em até 72 horas após a exposição, com um esquema antirretroviral por 28 dias.

Quais outras medidas devem ser tomadas no atendimento à vítima de violência sexual?

Além da profilaxia de ISTs, é fundamental oferecer contracepção de emergência, profilaxia para hepatite B (se não vacinada ou com esquema incompleto), avaliação e manejo de lesões, apoio psicossocial e notificação compulsória.

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