PEP para HIV em Gestantes: Conduta e Esquemas Atuais

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Gestante, 24 anos, G3P2A0, com 12 semanas, com sorologia anti-HIV não reagente na última semana, procurou o serviço de urgência referindo que, durante relação sexual há 26 horas, houve ruptura total do preservativo com ejaculado no canal anal. A paciente está muito ansiosa, pois seu parceiro vive com HIV, sem tratamento e sem controle clínico e laboratorial no último ano. O teste rápido para detecção do HIV da gestante foi negativo. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Fazer profilaxia com lamivudina, tenofovir e dolutegravir.
  2. B) Profilaxia pós-exposição não está indicada nessa idade gestacional.
  3. C) Fazer profilaxia somente com zidovudina endovenosa.
  4. D) Após este tempo da exposição, não está mais indicada a profilaxia.

Pérola Clínica

PEP para HIV em gestante: iniciar Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir (TDF+3TC+DTG) o mais rápido possível, idealmente em <2h, mas sempre em até 72h da exposição.

Resumo-Chave

A profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV é uma urgência médica e deve ser iniciada o mais breve possível, com limite máximo de 72 horas. Na gestante, o esquema preferencial atual (TDF+3TC+DTG) é seguro e eficaz para prevenir a infecção materna e a transmissão vertical.

Contexto Educacional

A profilaxia pós-exposição (PEP) de risco à infecção pelo HIV consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por 28 dias para reduzir a probabilidade de infecção após uma exposição de risco. É uma medida de urgência, cuja eficácia é tempo-dependente, devendo ser iniciada o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 2 horas e no máximo em até 72 horas. No caso de gestantes, a indicação da PEP segue os mesmos princípios, mas com a preocupação adicional de prevenir a transmissão vertical para o feto. A exposição sexual a um parceiro que vive com HIV, sem tratamento e com carga viral provavelmente elevada, constitui um cenário de altíssimo risco. A gestação não contraindica a PEP; pelo contrário, reforça sua necessidade. O esquema de primeira linha recomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil para gestantes é a combinação de Tenofovir (TDF) + Lamivudina (3TC) + Dolutegravir (DTG). Este esquema é potente, bem tolerado e considerado seguro durante a gestação. A conduta correta é iniciar imediatamente a profilaxia, realizar o acompanhamento sorológico e oferecer aconselhamento sobre práticas sexuais seguras.

Perguntas Frequentes

Quais situações configuram uma exposição de alto risco para indicação de PEP para HIV?

Exposições de alto risco incluem relação sexual anal ou vaginal receptiva sem preservativo com pessoa vivendo com HIV e carga viral detectável ou desconhecida, além de acidentes com material biológico. A situação descrita, com parceiro sem tratamento, é de altíssimo risco.

Qual o esquema de PEP para HIV preferencial em gestantes e por quê?

O esquema preferencial é a associação de Tenofovir (TDF) + Lamivudina (3TC) + Dolutegravir (DTG). Este regime combina alta eficácia, boa tolerabilidade, posologia de uma vez ao dia e um perfil de segurança bem estabelecido na gestação.

Como é realizado o acompanhamento sorológico da gestante após o início da PEP?

O acompanhamento inclui a repetição do teste para HIV com 30 e 90 dias após a exposição. Além disso, monitora-se a adesão ao tratamento, possíveis efeitos adversos dos medicamentos e oferece-se suporte psicossocial.

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