INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma adolescente, com 19 anos de idade, comparece ao plantão da Unidade de Emergência relatando ter sofrido violência sexual há cerca de 48 horas. Afirma que não procurou o atendimento antes por ter recebido ameaças anônimas por telefone. Afirma que sofreu penetração vaginal com ejaculação. A profilaxia da infecção por HIV com antirretrovirais para a paciente deve ser:
PEP HIV → Iniciar em até 72h + Duração de 28 dias (4 semanas).
A profilaxia pós-exposição (PEP) deve ser iniciada o mais rápido possível (idealmente <2h) e mantida por 28 dias para prevenir a soroconversão.
A profilaxia pós-exposição (PEP) é uma medida de urgência fundamental no manejo de vítimas de violência sexual. O sucesso da intervenção depende da rapidez do início e da adesão ao esquema de 28 dias. O esquema preferencial atual no Brasil envolve a combinação de Tenofovir (TDF), Lamivudina (3TC) e Dolutegravir (DTG), apresentando alta eficácia e melhor perfil de tolerabilidade. Além da prevenção do HIV, o atendimento deve ser integral, abordando a anticoncepção de emergência (preferencialmente em até 72 horas), a profilaxia de outras ISTs e o suporte psicossocial. O acompanhamento sorológico deve ser repetido após 30 e 90 dias para confirmar a ausência de infecção, garantindo a segurança clínica da paciente.
O protocolo brasileiro de Profilaxia Pós-Exposição (PEP) recomenda que o início do tratamento antirretroviral ocorra o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras duas horas após a exposição de risco e, no máximo, em até 72 horas. A eficácia da profilaxia é tempo-dependente, pois visa impedir a replicação viral e a integração do DNA proviral no genoma das células do hospedeiro antes que a infecção se estabeleça de forma sistêmica. Após o limite de 72 horas, os estudos sugerem que o benefício da PEP é mínimo ou inexistente, não sendo indicada a sua prescrição rotineira. Nesses casos, o foco deve ser o acompanhamento sorológico rigoroso para detecção precoce de uma eventual soroconversão e o tratamento imediato se necessário, além do suporte psicológico à vítima.
O esquema profilático deve ser mantido rigorosamente por um período de 28 dias, o que equivale a quatro semanas completas. Este intervalo é baseado em modelos animais que demonstraram ser o tempo necessário para garantir que qualquer partícula viral que tenha entrado em contato com o organismo seja eliminada sem gerar uma infecção crônica. A interrupção precoce do tratamento, mesmo que por poucos dias, compromete gravemente a eficácia da intervenção. É fundamental orientar a paciente sobre a adesão, explicando que os efeitos colaterais comuns, como náuseas, vômitos e fadiga, costumam ser transitórios e podem ser manejados com medicações sintomáticas, não devendo motivar a suspensão dos antirretrovirais sem orientação médica direta, garantindo assim a proteção máxima contra o vírus.
No atendimento inicial à vítima de violência sexual, é obrigatória a realização de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C. Caso o teste rápido para HIV seja reagente, a PEP não deve ser iniciada, pois o diagnóstico de infecção prévia já está estabelecido, exigindo encaminhamento para tratamento antirretroviral contínuo. Além disso, deve-se coletar exames laboratoriais de base, incluindo hemograma, transaminases (ALT/AST) e creatinina, para monitorar a toxicidade renal e hepática dos medicamentos. A profilaxia para outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia e clamídia, também deve ser realizada conforme o protocolo, geralmente utilizando ceftriaxona, azitromicina e penicilina benzatina, além da vacinação contra hepatite B e HPV se indicado conforme o status vacinal prévio da paciente.
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