Protocolo de Atendimento à Violência Sexual e Profilaxias

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Sobre o atendimento emergencial a mulheres vítimas de violência sexual, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) É dispensável a apresentação do boletim de ocorrência policial da violência sofrida.
  2. B) Dentre as infecções preveníveis através da profilaxia pós-exposição estão Gonorreia, sífilis, infecção por clamídia, tricomoníase e cancroide.
  3. C) Se a vítima não for vacinada ou estiver com vacinação incompleta contra hepatite B, deve ser vacinada ou completar a imunização. Para pessoas presumidamente suscetíveis, expostas a pessoas infectadas pelo HBV (HBsAg reagente) ou pertencentes a grupos de alto risco de infecção pelo HBV, está indicada a administração de IGHAHB e vacina Hepatite B recombinante (HB) o mais precocemente possível (preferencialmente nas primeiras 24 horas).
  4. D) O esquema de profilaxia a infecções bacterianas sexualmente transmissíveis é composto de Penicilina benzatina 2400.000 UI em dose única+ azitromicina 1g em dose única+ceftriaxone 500 mg IM em dose única+ Metronidazol 500mg 4 comprimidos em dose única.
  5. E) Em gestantes vítimas de violência sexual, o metronidazol deve ser substituído pela clindamicina independente da idade gestacional.

Pérola Clínica

Metronidazol é seguro na gestação para profilaxia de ISTs após violência sexual; não deve ser substituído por clindamicina.

Resumo-Chave

O protocolo de profilaxia pós-exposição em violência sexual inclui cobertura para HIV, Hepatite B e ISTs bacterianas. O Metronidazol é mantido em gestantes conforme protocolos do Ministério da Saúde.

Contexto Educacional

O atendimento a vítimas de violência sexual é uma emergência médica e humanitária. O protocolo brasileiro é rigoroso na prevenção de agravos, focando na Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para HIV (idealmente em até 72h) e na profilaxia de ISTs não virais. Um ponto crítico de confusão é o uso de Metronidazol em gestantes; as evidências atuais e os protocolos nacionais validam sua segurança para o tratamento de tricomoníase e vaginose bacteriana em qualquer idade gestacional, não havendo indicação de substituição rotineira por clindamicina no contexto de profilaxia pós-violência. Além das medidas farmacológicas, o acolhimento humanizado, a coleta de vestígios (quando consentida) e o seguimento ambulatorial para testagens sorológicas e suporte em saúde mental são pilares indispensáveis da assistência integral.

Perguntas Frequentes

É necessário BO para atendimento de violência sexual?

Não. O atendimento médico a vítimas de violência sexual é um direito garantido e não está condicionado à apresentação de Boletim de Ocorrência (BO) ou qualquer outro documento policial. A palavra da vítima tem presunção de veracidade, e o foco deve ser a assistência integral, profilaxias e acolhimento psicológico imediato.

Quais medicamentos compõem a profilaxia para ISTs bacterianas?

O esquema padrão recomendado pelo Ministério da Saúde envolve: Ceftriaxona 500mg IM (dose única) para gonorreia, Azitromicina 1g VO (dose única) para clamídia e cancroide, Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI IM para sífilis, e Metronidazol 2g VO (dose única) para tricomoníase. O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível.

Como funciona a profilaxia para Hepatite B em vítimas?

Se a vítima não for vacinada ou tiver esquema incompleto, deve-se iniciar ou completar a vacinação. Em casos de agressor com HBsAg reagente ou de alto risco, e vítima suscetível, indica-se a Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B (IGHAHB) preferencialmente nas primeiras 24 horas, associada à vacina.

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