MedEvo Simulado — Prova 2026
Renato, um homem de 24 anos que faz sexo com homens (HSH), comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) relatando que, há 48 horas, o preservativo rompeu durante uma relação sexual anal receptiva com um parceiro casual cujo status sorológico para HIV é desconhecido. Renato demonstra bastante ansiedade e solicita a "pílula que previne o HIV" (PrEP), pois afirma ter múltiplos parceiros e nem sempre consegue manter o uso consistente de preservativos. Ele está assintomático no momento. O médico realiza um teste rápido para HIV, que apresenta resultado não reagente. Com base nas recomendações de Prevenção Combinada, qual a conduta mais adequada para o caso?
Exposição de risco < 72h → PEP por 28 dias → Testagem → Transição para PrEP se negativo.
A PEP é a prioridade imediata após exposição de risco dentro de 72 horas. A transição para a PrEP deve ocorrer sem interrupções após o ciclo de 28 dias da PEP, desde que a soronegatividade seja confirmada.
O manejo de pacientes com exposição recente ao HIV exige rapidez e conhecimento dos protocolos de Prevenção Combinada. No caso de Renato, a exposição ocorreu há 48 horas, o que está dentro da janela de eficácia da PEP (até 72 horas). Como o teste rápido inicial foi negativo, a conduta imediata é a prescrição da PEP por 28 dias. A transição para a PrEP é indicada para indivíduos com risco substancial de infecção pelo HIV, como HSH que relatam dificuldades no uso consistente de preservativos. A transição deve ser planejada para ocorrer imediatamente após o término da PEP, garantindo a continuidade da proteção. É essencial diferenciar que a PEP é uma intervenção reativa de curto prazo, enquanto a PrEP é uma estratégia preventiva de longo prazo. O PCR para carga viral não é indicado rotineiramente para início de profilaxias em pacientes assintomáticos devido ao custo e tempo de resultado, priorizando-se o teste rápido.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma medida de urgência e sua eficácia é tempo-dependente. O início ideal deve ocorrer nas primeiras 2 horas após a exposição de risco ao HIV, e o limite máximo para o início do esquema é de 72 horas. Após esse período, a eficácia da profilaxia cai drasticamente, pois o vírus já pode ter se integrado ao genoma das células do hospedeiro, tornando a intervenção ineficaz para prevenir a infecção estabelecida. O esquema atual recomendado pelo Ministério da Saúde consiste na combinação de Tenofovir (TDF), Lamivudina (3TC) e Dolutegravir (DTG) por um período ininterrupto de 28 dias. É fundamental que o profissional de saúde acolha o paciente sem julgamentos, avalie o risco da exposição e realize testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C antes de iniciar a medicação.
A transição da PEP para a PrEP deve ser realizada de forma imediata e sem interrupções para indivíduos com indicação de prevenção contínua. O protocolo preconiza que, ao completar os 28 dias do esquema de PEP, o paciente deve realizar uma nova testagem para HIV. Se o resultado for não reagente, a PrEP deve ser iniciada no mesmo dia ou no dia seguinte ao último comprimido da PEP. Essa estratégia, conhecida como 'transição sem gap', é fundamental para garantir que os níveis plasmáticos dos antirretrovirais permaneçam em patamares terapêuticos, minimizando o risco de soroconversão caso tenha ocorrido uma exposição não detectada ou caso novas exposições ocorram logo após o término da PEP. O acompanhamento clínico deve incluir monitoramento da função renal e rastreio de outras ISTs.
A Prevenção Combinada é uma estratégia de saúde pública que utiliza diferentes abordagens (biomédicas, comportamentais e estruturais) para responder às necessidades específicas de cada indivíduo, visando interromper a cadeia de transmissão do HIV e outras ISTs. As intervenções biomédicas incluem o uso de preservativos, a PEP, a PrEP, a testagem regular e o tratamento de todas as pessoas vivendo com HIV para alcançar a carga viral indetectável (Indetectável = Intransmissível). As intervenções comportamentais focam no aconselhamento e redução de danos. Já as estruturais lidam com fatores sociais como o estigma e o acesso aos serviços de saúde. O objetivo é oferecer um 'cardápio' de opções preventivas, permitindo que a pessoa escolha a que melhor se adapta ao seu momento de vida e práticas sexuais.
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