UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
Considerando os aspectos técnicos, éticos e legais relacionados a doenças infecciosas e ao atendimento de pessoas vítimas de violência sexual, julgue o item que se segue.As vítimas de violência sexual que ingressarem nos serviços de saúde deverão ser submetidas ao tratamento com antirretrovirais, medicamentos que, nessas situações, são utilizados para reduzir o risco de contaminação pelo HIV.
PEP HIV → Indicada se risco real + < 72h; requer consentimento e avaliação clínica.
A administração de antirretrovirais após violência sexual não é obrigatória para todos; ela depende da avaliação de risco, do tempo decorrido desde a exposição e do consentimento da vítima.
O atendimento a vítimas de violência sexual é uma emergência médica e humanitária. O protocolo brasileiro preconiza o acolhimento imediato sem a necessidade de boletim de ocorrência para o atendimento de saúde. A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma das intervenções mais críticas, utilizando uma combinação de três antirretrovirais por 28 dias. A indicação da PEP baseia-se na avaliação do tipo de exposição (penetração vaginal ou anal, presença de lesões) e no tempo decorrido. A eficácia é tempo-dependente, o que reforça a necessidade de serviços de saúde preparados para o atendimento 24 horas. Além da parte medicamentosa, o acompanhamento laboratorial subsequente é essencial para monitorar a soroconversão e a toxicidade medicamentosa, garantindo a segurança e o suporte contínuo à vítima.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para o HIV deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 2 horas após a exposição e, no máximo, até 72 horas. Estudos demonstram que a eficácia da profilaxia diminui significativamente à medida que o tempo passa, tornando-se ineficaz após o prazo de três dias, quando a integração viral no DNA do hospedeiro já costuma ter ocorrido. Se a vítima procurar o serviço após 72 horas, a PEP não é mais indicada, devendo-se focar no seguimento sorológico e no tratamento de outras ISTs.
Não. O atendimento a vítimas de violência sexual deve respeitar a autonomia e a dignidade da pessoa. O médico deve informar sobre os riscos de infecção, os benefícios da profilaxia e os possíveis efeitos colaterais das medicações. A decisão final de iniciar ou não o tratamento antirretroviral cabe à vítima (ou seus responsáveis legais, em caso de menores). O termo 'deverão ser submetidas' é tecnicamente incorreto no contexto ético-médico, pois o tratamento é uma oferta baseada em critérios clínicos e consentimento, não uma imposição.
Além da PEP para HIV, o protocolo de violência sexual inclui a profilaxia para ISTs não virais (sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase), geralmente realizada com dose única de antibióticos (como Azitromicina, Ceftriaxona e Metronidazol). Também deve ser avaliada a necessidade de vacinação e imunoglobulina para Hepatite B, vacina contra o HPV e a contracepção de emergência para evitar gravidez indesejada. O atendimento deve ser integral, abordando aspectos físicos, psicológicos e sociais da vítima.
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