Manejo de Falha de Adesão na PrEP e Transição para PEP

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 26 anos, que se identifica como homem que faz sexo com homens (HSH), comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV, a qual utiliza na modalidade diária há 6 meses. Durante a anamnese, ele relata que viajou no feriado prolongado e esqueceu de levar os medicamentos, ficando sem tomar os comprimidos de Tenofovir + Entricitabina nos últimos 5 dias. Refere que, há cerca de 36 horas, teve uma relação sexual anal receptiva desprotegida com um parceiro cuja sorologia para HIV é desconhecida. O paciente está assintomático e o exame físico não apresenta alterações. O médico realiza o Teste Rápido para HIV, que resulta não reagente. Com base nas diretrizes de Prevenção Combinada, a conduta mais adequada para este caso é:

Alternativas

  1. A) Reiniciar imediatamente a PrEP diária com uma dose de ataque de dois comprimidos, orientando o uso de preservativo pelos próximos 7 dias.
  2. B) Suspender temporariamente a PrEP e iniciar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) por 28 dias; reavaliar com novo teste rápido após o término para reiniciar a PrEP.
  3. C) Manter o uso da PrEP diária e solicitar a Carga Viral (RNA-HIV) imediatamente, aguardando o resultado para decidir sobre a introdução de novos antirretrovirais.
  4. D) Indicar o uso da PEP por apenas 7 dias como reforço à PrEP prévia e, caso o paciente siga assintomático, retornar ao esquema de rotina.

Pérola Clínica

Interrupção de PrEP > 72h + exposição de risco < 72h → Iniciar PEP por 28 dias.

Resumo-Chave

A falha de adesão à PrEP por 5 dias remove a proteção eficaz. Diante de uma exposição de risco recente (36h), a conduta correta é a transição para PEP para garantir cobertura antirretroviral completa.

Contexto Educacional

A profilaxia pré-exposição (PrEP) exige níveis plasmáticos e teciduais estáveis para garantir eficácia, especialmente em relações anais receptivas. A interrupção por 5 dias compromete essa barreira farmacológica. O protocolo de Prevenção Combinada preconiza que, em janelas de vulnerabilidade por má adesão seguidas de exposição, a PEP deve ser instituída em até 72 horas. O uso de Tenofovir e Entricitabina (ou Lamivudina) associado a um inibidor de integrasse (Dolutegravir) por 28 dias é o padrão-ouro para reduzir o risco de soroconversão nesses cenários críticos.

Perguntas Frequentes

Quando transicionar de PrEP para PEP?

A transição de PrEP para PEP é indicada quando o paciente apresenta falha de adesão (geralmente definida como perda de doses por mais de 72 horas para PrEP diária) e relata uma exposição sexual ou percutânea de risco ao HIV nas últimas 72 horas. O objetivo é oferecer uma terapia antirretroviral mais robusta (geralmente com três drogas) para bloquear a replicação viral inicial após o contato.

Qual o esquema preferencial da PEP no Brasil?

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, o esquema preferencial para PEP é a combinação de Tenofovir (TDF) + Lamivudina (3TC) + Dolutegravir (DTG) por 28 dias. Em pacientes que já usavam PrEP (TDF/FTC), a adição do DTG completa o esquema de três drogas necessário para a profilaxia pós-exposição.

Como retornar à PrEP após o término da PEP?

Após completar os 28 dias de PEP, o paciente deve realizar um novo teste rápido para HIV. Se o resultado for não reagente, a PrEP pode ser reiniciada imediatamente, sem intervalo. É fundamental reforçar as orientações de adesão e discutir a modalidade de PrEP (diária vs. sob demanda) que melhor se adapta ao estilo de vida do usuário para evitar novas interrupções.

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