Abuso Sexual: Conduta na Emergência e Profilaxia Pós-Exposição

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher jovem, com 18 anos, procura atendimento em emergência de um hospital geral, trazida por sua mãe. Ela referiu que na semana anterior (7 dias atrás) foi vitima de abuso sexual ao sair de uma festa. Houve penetração vaginal sem uso de preservativo. A jovem ficou abalada emocionalmente e só contou para seus pais hoje. Paciente usa DIU de cobre como método contraceptivo. Última menstruação há 9 dias. Nega dor ou sangramento vaginal. Exame físico sem alterações. Cartão de vacinação completo, incluindo vacina quadrivalente para HPV e 3 doses contra hepatite B. Diante do ocorrido, qual conduta deve ser traçada na emergência?

Alternativas

  1. A) Notificar. Iniciar profilaxia das infecções sexualmente transmissíveis não virais, com aplicação de penicilina G benzatina e ceftriaxone. Azitromicina e metronidazol via oral, dose única. Contracepção de emergência com levonorgestrel. Profilaxia pós exposição ao HIV.
  2. B) Notificar. Contraindicar a profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis não virais e virais, uma vez que o abuso aconteceu há mais de 72 horas. Não é necessário prescrever contracepção de emergência com Levonorgestrel.
  3. C) Notificar. Contraindicar a profilaxia pós exposição ao HIV, pelo tempo que ocorreu o abuso. Mas indicar a prevenção das infecções sexuais não virais com penicilina G benzatina, ceftriaxone, azitromicina e metronidazol. Não está recomendado a prescrição de Levonorgestrel.
  4. D) Notificar. Prescrever a profilaxia pós exposição ao HIV e imunoglobulina humana anti-hepatite B. A profilaxia das infecções sexualmente transmissíveis não virais deve ser feita com azitromicina, ceftriaxone, penicilina G benzatina. Metronidazol após o fim dos antivirais. Contracepção de emergência não está indicada.
  5. E) Notificar. Não é recomendado profilaxia pós exposição ao HIV. Imunoglobulina humana anti-hepatite B deve ser prescrita. A prevenção das infecções sexualmente transmissíveis não virais deve ser feita com a penicilina G benzatina. Prescrever contracepção de emergência com Levonorgestrel.

Pérola Clínica

Abuso sexual >72h: PEP HIV contraindicada; IST não virais indicadas; contracepção emergência se não houver método eficaz.

Resumo-Chave

Em casos de abuso sexual, a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV é eficaz se iniciada em até 72 horas após a exposição; após esse período, não é recomendada. A profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (IST) não virais deve ser sempre oferecida. A contracepção de emergência é indicada se não houver método contraceptivo eficaz ou se houver falha do método.

Contexto Educacional

O atendimento à vítima de abuso sexual na emergência exige uma abordagem multidisciplinar e humanizada, com foco na saúde física e mental da paciente. A notificação compulsória é obrigatória. As principais preocupações médicas incluem a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST), a profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP) e a contracepção de emergência. A profilaxia para HIV (PEP) é crucial, mas sua eficácia é tempo-dependente, devendo ser iniciada idealmente nas primeiras horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição. Após esse período, a PEP não é mais recomendada, como no caso da paciente que procurou atendimento 7 dias após o abuso. No entanto, a profilaxia para IST não virais (gonorreia, clamídia, sífilis, tricomoníase) deve ser sempre oferecida, independentemente do tempo decorrido, pois o período de incubação dessas infecções pode ser mais longo. Em relação à contracepção de emergência, a paciente já utiliza DIU de cobre, que é um método contraceptivo de alta eficácia e que também pode atuar como contracepção de emergência se inserido até 5 dias após a relação desprotegida. Portanto, a prescrição adicional de levonorgestrel não seria necessária, a menos que houvesse evidência de falha ou deslocamento do DIU. A vacinação completa para Hepatite B confere proteção contra o vírus, eliminando a necessidade de imunoglobulina ou vacinação adicional para essa infecção.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo limite para iniciar a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV após abuso sexual?

A PEP para HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 2 horas, e tem eficácia comprovada se iniciada em até 72 horas (3 dias) após a exposição. Após esse período, sua indicação é contraindicada.

Quais infecções sexualmente transmissíveis (IST) devem ser profilaticamente tratadas após abuso sexual?

A profilaxia para IST não virais inclui tratamento para gonorreia (ceftriaxone), clamídia (azitromicina), sífilis (penicilina G benzatina) e tricomoníase/vaginose bacteriana (metronidazol), independentemente do tempo da exposição.

Quando a contracepção de emergência é indicada para vítimas de abuso sexual?

A contracepção de emergência é indicada se a vítima não estiver usando um método contraceptivo eficaz ou se houver falha do método. No caso de DIU de cobre, que é um método altamente eficaz, a contracepção de emergência com levonorgestrel não é necessária, a menos que haja suspeita de falha ou deslocamento do DIU.

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