HIV em Recém-Nascidos: Profilaxia e Conduta Atualizada

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido de 38 semanas de gestação, assintomático e eutrófico, porém a mãe tem diagnóstico confirmado de infecção pelo HIV por meio do teste rápido (ela apresentava 2 testes anti-HIV não reagentes no 1º e 2º trimestres de gestação). Como proceder no atendimento a esse recém-nascido, conforme as orientações atualizadas do Ministério da Saúde do Brasil?

Alternativas

  1. A) Não há necessidade de iniciar profilaxia nesse caso.
  2. B) Realizar zidovudina, lamivudina e raltegravir por 4 semanas.
  3. C) Iniciar nas 12 primeiras horas a zidovudina e sulfametoxazol+trimetoprim, além de mantê-las até o resultado de duas cargas virais não detectadas.
  4. D) Realizar zidovudina e nevirapina por 30 dias e, em seguida, sulfametoxazol+trimetoprim até definir se houve sororreversão.
  5. E) Iniciar zidovudina, lamivudina e nevirapina nas primeiras 12 horas de vida e manter até o resultado da primeira carga viral do recém-nascido colhida já ao nascimento.

Pérola Clínica

RN de mãe HIV+ com diagnóstico tardio: profilaxia com ZDV + 3TC + RAL por 4 semanas.

Resumo-Chave

A profilaxia antirretroviral para recém-nascidos expostos ao HIV varia conforme o risco de transmissão. Em casos de diagnóstico materno tardio ou carga viral desconhecida/elevada, um esquema de três drogas (Zidovudina, Lamivudina e Raltegravir) por 4 semanas é indicado para maximizar a prevenção da transmissão vertical, conforme as diretrizes atuais do Ministério da Saúde.

Contexto Educacional

A infecção pelo HIV em recém-nascidos, resultante da transmissão vertical, é uma preocupação significativa na saúde pública, apesar dos avanços na prevenção. A transmissão pode ocorrer durante a gestação, parto ou amamentação. O Brasil, assim como outros países, tem diretrizes claras para o manejo de gestantes HIV positivas e seus recém-nascidos, visando a eliminação da transmissão vertical. A identificação precoce da infecção materna e o início da terapia antirretroviral são pilares fundamentais para reduzir o risco. No entanto, casos de diagnóstico materno tardio ainda representam um desafio, exigindo uma abordagem profilática mais intensiva para o neonato. O diagnóstico da infecção pelo HIV na gestante, idealmente no primeiro trimestre, permite a implementação de medidas preventivas eficazes, como a terapia antirretroviral materna e a escolha da via de parto. Quando o diagnóstico ocorre tardiamente, a janela de oportunidade para a intervenção materna é reduzida, elevando o risco para o recém-nascido. Nesses cenários, a profilaxia neonatal deve ser otimizada. A fisiopatologia da transmissão envolve a passagem do vírus da mãe para o feto ou bebê, e a profilaxia com antirretrovirais atua inibindo a replicação viral no recém-nascido, impedindo o estabelecimento da infecção. O tratamento profilático para o recém-nascido de mãe HIV positiva é iniciado nas primeiras horas de vida e a escolha do esquema (uma, duas ou três drogas) depende do risco de transmissão, que é estratificado com base na carga viral materna, uso de antirretrovirais e tempo de diagnóstico. Para casos de alto risco, como o da questão, a combinação de zidovudina, lamivudina e raltegravir por 4 semanas é a conduta padrão, conforme as orientações do Ministério da Saúde. O prognóstico é excelente quando a profilaxia é instituída corretamente e precocemente, com altas taxas de prevenção da infecção no bebê.

Perguntas Frequentes

Qual o esquema profilático para RN de mãe HIV positiva com diagnóstico tardio?

Para recém-nascidos de mães com diagnóstico de HIV tardio na gestação, o esquema profilático recomendado inclui zidovudina (ZDV), lamivudina (3TC) e raltegravir (RAL) por 4 semanas, iniciado nas primeiras 12 horas de vida.

Por que a profilaxia combinada é importante em casos de diagnóstico tardio de HIV materno?

A profilaxia combinada é crucial em casos de diagnóstico tardio, pois o risco de transmissão vertical é maior devido à falta de terapia antirretroviral materna adequada durante a maior parte da gestação, ou à ausência de supressão viral. O esquema de três drogas oferece maior potência para prevenir a infecção do bebê.

Quais são os principais fatores de risco para transmissão vertical do HIV?

Os principais fatores de risco incluem alta carga viral materna, ausência ou uso inadequado de terapia antirretroviral durante a gestação, parto vaginal em situações de carga viral detectável, amamentação e procedimentos invasivos durante a gestação ou parto.

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