Manejo do RN Exposto ao HIV: Profilaxia e Conduta

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Gestante em acompanhamento pré-natal fez diagnóstico de HIV com 29 semanas. Iniciou TARV e fez uso regular até o nascimento do bebê. A Carga viral (CV) com 38 semanas era de 1400 cópias. Com relação ao manejo do RN, qual deverá ser a conduta no alojamento conjunto:

Alternativas

  1. A) Coletar CV ao nascimento e iniciar profilaxia com AZT + 3TC + RAL por 28 dias.
  2. B) Coletar CV no primeiro dia de vida e iniciar profilaxia com AZT xarope por 28 dias.
  3. C) Coletar CV no 14º dia de vida e iniciar profilaxia com AZT e NVP por 28 dias.
  4. D) Coletar CV ambulatorialmente e iniciar profilaxia com TDF + 3TC + DTG.

Pérola Clínica

RN de mãe HIV com CV > 1000 cópias ou sem TARV adequada → profilaxia tripla (AZT+3TC+RAL) por 28 dias e não amamentar.

Resumo-Chave

Recém-nascidos de mães com HIV e carga viral elevada (>1000 cópias/mL) ou com TARV inadequada/tardia, têm alto risco de transmissão vertical e devem receber profilaxia antirretroviral tripla por 28 dias, além de ter a carga viral coletada ao nascimento para diagnóstico precoce.

Contexto Educacional

O manejo do recém-nascido (RN) exposto ao HIV é um pilar fundamental na prevenção da transmissão vertical do vírus. A gestante do caso, com diagnóstico de HIV às 29 semanas e carga viral de 1400 cópias às 38 semanas, apresenta um risco elevado de transmissão para o bebê, apesar do uso de TARV. Nesses cenários de alto risco, a profilaxia do RN deve ser intensificada. As diretrizes atuais preconizam que RNs de mães com carga viral detectável (>1000 cópias/mL) no final da gestação ou parto, ou com TARV inadequada, recebam profilaxia antirretroviral tripla. O esquema mais comum inclui Zidovudina (AZT), Lamivudina (3TC) e Raltegravir (RAL) por 28 dias. Além disso, é imperativo coletar a carga viral do RN ao nascimento para o diagnóstico precoce, permitindo a instituição do tratamento completo caso a infecção seja confirmada. É crucial que residentes compreendam a importância da adesão à TARV na gestação para suprimir a carga viral materna e reduzir o risco de transmissão. No entanto, quando a supressão não é alcançada, medidas adicionais para o RN são indispensáveis. A contraindicação do aleitamento materno é uma medida padrão para todos os RNs expostos ao HIV, visando eliminar essa via de transmissão pós-natal. O acompanhamento rigoroso do binômio mãe-filho é essencial para garantir a saúde de ambos.

Perguntas Frequentes

Quando o recém-nascido de mãe HIV positiva deve receber profilaxia antirretroviral tripla?

A profilaxia antirretroviral tripla é indicada para recém-nascidos de mães com carga viral de HIV > 1000 cópias/mL (ou detectável) no terceiro trimestre ou próximo ao parto, ou para aquelas que iniciaram a TARV tardiamente na gestação, tiveram adesão irregular, ou não realizaram profilaxia intraparto adequada. O regime inclui AZT, 3TC e RAL por 28 dias.

Qual a importância de coletar a carga viral do RN ao nascimento?

A coleta da carga viral (ou DNA pró-viral) do RN ao nascimento é fundamental para o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV. Um resultado positivo permite iniciar o tratamento antirretroviral completo o mais rápido possível, melhorando o prognóstico e reduzindo a morbimortalidade associada à infecção pediátrica.

Qual a conduta em relação ao aleitamento materno para RNs expostos ao HIV?

O aleitamento materno é contraindicado para todos os recém-nascidos de mães HIV positivas, independentemente da carga viral materna ou do uso de antirretrovirais. A transmissão do HIV pelo leite materno é um risco significativo, e a substituição por fórmula infantil é a recomendação padrão para prevenir a transmissão vertical pós-natal.

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