Hepatite B: Profilaxia Pós-Exposição em Acidentes

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um médico cirurgião sofreu acidente perfurocortante durante cirurgia aberta de abdome, o paciente fonte tinha como antecedentes ser portador de hepatite B. Sendo assim, foram solicitadas no mesmo dia sorologias: paciente fonte: Ag-HBS reagente, Ag-HBe reagente e carga viral de 200.000 mil cópias por ml /paciente vítima do acidente: Ag-HBS não reagente, Anti-HBc não reagente Anti-Hbs não reagente. Levando-se em conta as sorologias e estando dentro das primeiras 24h, a conduta certa em relação à vítima do acidente é

Alternativas

  1. A) encaminhar para vacinação contra hepatite B, e iniciar profilaxia com Tenofovir.
  2. B) monitoramento com ALT/AST a cada 3 meses, caso alteração iniciar Tenofovir.
  3. C) iniciar tratamento com alfapeguinterferona por 48 semanas e monitorar ALT/AST a cada 3 meses.
  4. D) encaminhar para vacinação contra hepatite B e realização e imunoglobulina.
  5. E) realizar vacinação em doses dobrada e reavaliar o paciente em 3 meses.

Pérola Clínica

Acidente perfurocortante com fonte HBsAg+ e vítima não imune → vacinação contra hepatite B + imunoglobulina anti-HBV (nas primeiras 24h).

Resumo-Chave

Em caso de acidente perfurocortante com exposição a sangue de paciente fonte HBsAg reagente e HBeAg reagente (indicando alta infectividade), e a vítima não possui marcadores de imunidade (Ag-HBS não reagente, Anti-HBc não reagente, Anti-HBs não reagente), a conduta imediata e essencial é a administração de imunoglobulina anti-hepatite B (HBIG) e o início do esquema vacinal contra hepatite B, idealmente nas primeiras 24 horas.

Contexto Educacional

Acidentes perfurocortantes são eventos de alto risco para profissionais de saúde, especialmente em relação à transmissão de patógenos como o vírus da hepatite B (HBV). A profilaxia pós-exposição (PPE) é uma medida crítica para prevenir a infecção. A decisão sobre a conduta deve ser rápida e baseada na sorologia do paciente fonte e no status imunológico do profissional exposto. No cenário apresentado, o paciente fonte é HBsAg reagente e HBeAg reagente, com alta carga viral, indicando alta infectividade. A vítima, por sua vez, é totalmente suscetível (Ag-HBS não reagente, Anti-HBc não reagente, Anti-HBs não reagente), ou seja, não vacinada e sem imunidade prévia. Nesses casos de alto risco e suscetibilidade, a conduta mais adequada e urgente é a combinação de imunização passiva e ativa. A imunoglobulina anti-hepatite B (HBIG) deve ser administrada o mais rápido possível (idealmente nas primeiras 24 horas, até 7 dias após a exposição) para fornecer proteção imediata. Simultaneamente, o esquema vacinal contra hepatite B deve ser iniciado para conferir imunidade de longo prazo. Essa abordagem combinada é a mais eficaz para prevenir a infecção pelo HBV após uma exposição de alto risco.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da imunoglobulina anti-hepatite B (HBIG) na profilaxia pós-exposição?

A HBIG fornece anticorpos passivos imediatos contra o vírus da hepatite B, oferecendo proteção rápida enquanto o sistema imunológico da pessoa exposta desenvolve sua própria resposta à vacina.

Quando a vacinação contra hepatite B é recomendada após um acidente perfurocortante?

A vacinação é recomendada para indivíduos não vacinados ou que não responderam à vacinação prévia, em conjunto com a HBIG, para conferir imunidade ativa e de longo prazo.

Como a sorologia do paciente fonte e da vítima influenciam a decisão da profilaxia?

A sorologia do paciente fonte (HBsAg, HBeAg, carga viral) determina o risco de transmissão, enquanto a sorologia da vítima (HBsAg, Anti-HBc, Anti-HBs) indica seu status de imunidade, guiando a necessidade de vacina e/ou HBIG.

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