Conduta em Acidente Biológico: Hepatite B e Anti-HBs

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Durante seu turno de atendimento de demanda espontânea em uma UBS, o enfermeiro da equipe direciona um paciente para que você realize uma sutura simples. Durante o procedimento, você se perfura com a agulha que está fazendo a sutura. Após os cuidados iniciais, o paciente é testado e constata-se que ele apresenta Anti-HBS não reagente e HBsAg reagente. Por outro lado, você apresenta esquema vacinal completo, HBsAg não-reagente e Anti-HBS de 300 UI/ml (Valor de Referência: maior 100 UI/mL). Assinale a conduta correta em relação à prevenção de Hepatite B no profissional de saúde no caso citado.

Alternativas

  1. A) Nenhuma medida é necessária.
  2. B) Iniciar nova série vacinal no profissional de saúde, com primeira dose, preferencialmente, em até 24 horas após a exposição.
  3. C) Iniciar nova série vacinal no profissional de saúde, com primeira dose, preferencialmente, após as primeiras 24 horas da exposição.
  4. D) Iniciar nova série vacinal no profissional de saúde, com primeira dose, preferencialmente, em até 24hs após a exposição. Iniciar imunoglobulina hiperimune para Hepatite B (IGHAHB).

Pérola Clínica

Profissional vacinado com Anti-HBs ≥ 10 UI/mL + acidente percutâneo → Nenhuma medida necessária.

Resumo-Chave

Indivíduos com resposta vacinal documentada (Anti-HBs ≥ 10 mUI/mL) possuem memória imunológica permanente e estão protegidos contra a infecção por HBV, mesmo diante de fonte positiva.

Contexto Educacional

O manejo de acidentes ocupacionais com material biológico exige uma avaliação criteriosa do status sorológico tanto do profissional quanto do paciente-fonte. Para a Hepatite B, a peça-chave é o Anti-HBs. Profissionais de saúde devem idealmente realizar a sorologia 1 a 2 meses após o término do esquema vacinal para confirmar a soroconversão. No cenário descrito, o profissional apresenta um título de 300 UI/mL, o que excede significativamente o limiar de proteção de 10 UI/mL. Mesmo que o paciente-fonte seja portador do vírus (HBsAg reagente), a imunidade do profissional é capaz de neutralizar o patógeno imediatamente, tornando desnecessária qualquer intervenção adicional como reforços vacinais ou imunoglobulina. O foco deve então se voltar para a avaliação de risco para HIV e Hepatite C, conforme o protocolo da instituição.

Perguntas Frequentes

Qual o valor de Anti-HBs considerado protetor?

Valores de Anti-HBs iguais ou superiores a 10 mUI/mL, documentados após um esquema vacinal completo (3 doses), são considerados protetores. Uma vez que essa resposta é atingida, o indivíduo é considerado imunizado a longo prazo devido à memória imunológica das células B e T.

Quando indicar Imunoglobulina (IGHAHB) após acidente?

A Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B (IGHAHB) é indicada quando o profissional de saúde é não vacinado, possui esquema incompleto ou é um 'não-respondedor' conhecido (Anti-HBs < 10 após dois esquemas), e o paciente-fonte é HBsAg positivo ou de status desconhecido com alto risco.

O que fazer se o profissional for não-respondedor após 2 esquemas?

Se após duas séries completas de vacinação (total de 6 doses) o profissional não apresentar Anti-HBs ≥ 10 mUI/mL, ele é classificado como não-respondedor. Em caso de exposição a material HBsAg+, ele deve receber duas doses de IGHAHB (uma imediata e outra após 30 dias) em vez de novas vacinas.

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