HDA em Cirróticos: Prevenção de PBE com Ceftriaxona

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 62 anos portador de cirrose hepática por vírus B, CHILD C, é admitido em serviço de emergência com quadro de hemorragia digestiva alta. Ele refere que apresentou vários episódios de hematêmese e de melena. Nega outras comorbidades. Ao exame físico, apresenta uma pressão arterial de 84x48 mmHg, uma frequência cardíaca de 104bpm, também apresenta ascite de grande volume com presença de circulação colateral no abdome. Seus exames laboratoriais demonstram uma hemoglobina de 7,8 mg/dL, uma ureia de 102mg/dL, um RNI de 1,7, albumina de 1,8g/dL e bilirrubina total de 2,9 mg/dL. Sobre o manejo desse paciente, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O paciente deve receber imediatamente beta bloqueadores para prevenção de novos sangramentos digestivos.
  2. B) O paciente deve receber expansão volêmica com uso de albumina 20%.
  3. C) O paciente deve receber terapia hemostática por meio de criocoagulação endoscópica imediatamente.
  4. D) O paciente apresenta indicação de uso Ceftriaxona para prevenção de peritonite bacteriana espontânea.
  5. E) A terapia de escolha no momento é a passagem de balão de sengstaken blakemore

Pérola Clínica

Cirrótico com HDA e ascite/Child B-C → Profilaxia ATB (Ceftriaxona) para PBE e outras infecções.

Resumo-Chave

Pacientes cirróticos com HDA, especialmente aqueles com ascite ou classificação Child-Pugh B ou C, têm alto risco de desenvolver infecções bacterianas, como a peritonite bacteriana espontânea (PBE). A profilaxia antibiótica com Ceftriaxona é uma medida essencial e imediata para reduzir essa morbimortalidade.

Contexto Educacional

Pacientes com cirrose hepática e hemorragia digestiva alta (HDA) apresentam um risco significativamente elevado de desenvolver infecções bacterianas, sendo a peritonite bacteriana espontânea (PBE) uma das mais graves e comuns. A translocação bacteriana do intestino é facilitada pela disfunção da barreira intestinal e pela imunodeficiência associada à cirrose. A profilaxia antibiótica é uma medida fundamental e deve ser iniciada precocemente em todos os pacientes cirróticos com HDA, especialmente aqueles com ascite, Child-Pugh B ou C, ou histórico de PBE. A Ceftriaxona é o antibiótico de escolha devido ao seu amplo espectro contra bactérias gram-negativas entéricas, que são os principais patógenos envolvidos na PBE. Essa intervenção demonstrou reduzir a incidência de infecções, ressangramento e mortalidade. Outras medidas importantes incluem a reposição volêmica cuidadosa, o uso de drogas vasoativas (terlipressina/octreotide) e a realização de endoscopia digestiva alta para tratamento do sangramento. A albumina 20% é indicada em pacientes com PBE para prevenir a síndrome hepatorrenal, mas sua indicação primária na HDA é mais específica, geralmente associada à PBE ou grandes paracentenses. Beta-bloqueadores são para profilaxia secundária de sangramento, não para a fase aguda de HDA.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes cirróticos com HDA têm indicação de profilaxia antibiótica?

Todos os pacientes cirróticos com HDA devem receber profilaxia antibiótica. A indicação é ainda mais forte para aqueles com ascite, classificação Child-Pugh B ou C, ou histórico prévio de PBE, devido ao alto risco de infecções.

Por que a Ceftriaxona é o antibiótico de escolha para profilaxia de PBE em HDA?

A Ceftriaxona é um antibiótico de amplo espectro, eficaz contra os principais patógenos gram-negativos entéricos responsáveis pela PBE e outras infecções em cirróticos, além de ter boa penetração no líquido ascítico.

Quais são os fatores de risco para infecção em cirróticos com HDA?

Os principais fatores de risco incluem a própria HDA, presença de ascite, desnutrição, disfunção hepática grave (Child-Pugh B ou C), uso prévio de IBP e procedimentos invasivos. A translocação bacteriana é um mecanismo chave.

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