PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Um paciente de 54 anos portador de cirrose hepática por etiologia alcoólica, CHILD C, é admitido em serviço de emergência com quadro de hemorragia digestiva alta. Ele refere que apresentou vários episódios de hematêmese e um de melena, em um dos episódios, chegou a perder a consciência por alguns segundos logo após vomitar. Nega outras comorbidades. Ao exame físico, apresenta uma pressão arterial de 88x52 mmHg, uma frequência cardíaca de 110bpm, também apresenta ascite de grande volume com presença de circulação colateral no abdome. Seus exames laboratoriais demonstram uma hemoglobina de 8,2 mg/dL, uma ureia de 92mg/dL, um RNI de 1,9, albumina de 2,8g/dL e bilirrubina total de 2,4 mg/dL.Assinale a alternativa que indica as profilaxias que ele deve receber após um sangramento digestivo de origem varicosa.
Cirrótico com HDA varicosa → Profilaxia ATB para PBE (ex: Ceftriaxona) na admissão.
Pacientes cirróticos com hemorragia digestiva alta de origem varicosa têm alto risco de desenvolver infecções bacterianas, especialmente peritonite bacteriana espontânea (PBE). A profilaxia antibiótica precoce é fundamental para reduzir a morbimortalidade.
A hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes esofágicas é uma complicação grave e potencialmente fatal da cirrose hepática, com alta taxa de mortalidade. Pacientes cirróticos, especialmente aqueles com ascite e disfunção hepática avançada (CHILD C), são particularmente vulneráveis a infecções bacterianas após um episódio de HDA. A translocação bacteriana do intestino para a circulação sistêmica é um evento comum nesses pacientes, levando a infecções como a peritonite bacteriana espontânea (PBE), pneumonia e infecção do trato urinário. A PBE é uma infecção grave do líquido ascítico, que ocorre sem uma fonte intra-abdominal evidente, e é uma das principais causas de descompensação e morte em cirróticos. A profilaxia antibiótica precoce, iniciada já na admissão hospitalar, é uma medida comprovadamente eficaz para reduzir a incidência de PBE e outras infecções, melhorando a sobrevida desses pacientes. Antibióticos como a ceftriaxona são frequentemente utilizados devido ao seu amplo espectro e boa penetração no líquido ascítico. O manejo do paciente cirrótico com HDA varicosa é complexo e exige uma abordagem multifacetada, incluindo estabilização hemodinâmica, uso de drogas vasoativas para reduzir a pressão portal, endoscopia digestiva alta para tratamento das varizes (ligadura elástica), e a profilaxia antibiótica. A compreensão e aplicação dessas diretrizes são cruciais para residentes, visando otimizar o cuidado e os desfechos desses pacientes de alto risco.
Pacientes cirróticos com HDA varicosa apresentam translocação bacteriana aumentada do intestino para a circulação, além de imunodeficiência e ascite, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de infecções como a PBE.
As diretrizes recomendam o uso de antibióticos de amplo espectro, como Ceftriaxona intravenosa por 5-7 dias, ou Norfloxacino oral, se o paciente tolerar e não houver resistência local elevada.
Além da profilaxia antibiótica, o manejo inclui estabilização hemodinâmica (com restrição de volume), uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide), endoscopia digestiva alta precoce para ligadura elástica e, em casos refratários, TIPS.
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