Profilaxia GBS: Indicações na Ruptura de Membranas

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente GII PI 1N (há 3 anos) A0, deu entrada no pronto-socorro obstétrico (PSO) por perda de líquido via vaginal há cerca de 2 horas. IG por ultrassom precoce de 36 semanas. Nega comorbidades. Pesquisa de EGB (Streptococcus agalactiae beta hemolítico do grupo B) negativo (< 5 semanas). Nega dor tipo contração uterina. Ao exame obstétrico: DU (dinâmica uterina) ausente, exa- me especular: saída de líquido claro pelo orifício externo do colo uterino, BCF (batimentos cardíacos fetais): 140 bpm, MF presentes, toque vaginal (TV): colo impérvio, grosso e posterior. Cardiotocografia: normal. PA 100 x 70 mmHg. Em um determinado momento, a paciente entrou em tra- balho de parto. Nega alergias. Foi reavaliada, sendo o exame físico/obstétrico: bom estado geral, afebril, eucárdica e eupneica; TV: 4-5 cm, médio, medianizado, bolsa rota (líquido claro) há 18 horas, sem sinais de fisometria, apresentação cefálica. Exames laboratoriais normais. DU: 3/10’/40”, BCF: 130 bpm. Sobre a continuação da condução do caso, assinale a alternativa correta

Alternativas

  1. A) Introdução de Ampicilina dose de ataque e manutenção, por prematuridade fetal.
  2. B) Introdução de Ampicilina dose de ataque e manutenção, por ser um caso de RPMO (ruptura prematura de membranas) há 18 horas.
  3. C) Introdução de Penicilina G cristalina dose de ataque e manutenção, por prematuridade fetal.
  4. D) Introdução de Penicilina G cristalina dose de ataque e manutenção, por ser um caso de RPMO (ruptura prematura de membranas) há 18 horas.
  5. E) Não há necessidade de antibioticoprofilaxia, por pesquisa EGB ter sido negativa há menos de 5 semanas, no pré-natal.

Pérola Clínica

GBS negativo (< 5 sem) → Sem profilaxia, mesmo com RPMO > 18h ou prematuridade.

Resumo-Chave

A pesquisa negativa para GBS realizada há menos de 5 semanas invalida a necessidade de profilaxia por fatores de risco clínicos, como bolsa rota prolongada ou prematuridade.

Contexto Educacional

A prevenção da sepse neonatal precoce pelo Streptococcus agalactiae (GBS) baseia-se no rastreio universal entre 35 e 37 semanas de gestação. A conduta intraparto é guiada primariamente pelo resultado desse rastreio. Quando o resultado é negativo e foi obtido há menos de 5 semanas, ele tem alto valor preditivo negativo, o que permite omitir a antibioticoprofilaxia mesmo diante de fatores de risco como a prematuridade (36 semanas) ou a ruptura prolongada de membranas (18 horas). É fundamental que o obstetra diferencie a profilaxia para GBS da antibioticoterapia para corioamnionite ou da antibioticoterapia de latência na RPMO pré-termo. No caso clínico, a paciente está em trabalho de parto franco, com rastreio negativo recente e sem sinais de infecção ovular (afebril, líquido claro), justificando a conduta expectante quanto aos antibióticos.

Perguntas Frequentes

Quando a profilaxia para GBS é dispensada?

A profilaxia intraparto para GBS é dispensada se a paciente tiver uma cultura (swab vaginal/anal) negativa realizada nas últimas 5 semanas, ou se for submetida a uma cesariana eletiva com membranas íntegras, independentemente do status da cultura.

Qual a validade do swab de GBS?

O resultado de uma cultura de rastreio para GBS é considerado válido por 5 semanas. Se o parto ocorrer após esse período, o status da paciente deve ser considerado desconhecido, e a necessidade de profilaxia será determinada pela presença de fatores de risco intraparto.

Quais os fatores de risco para GBS se o status for desconhecido?

Se o status de GBS for desconhecido no momento do parto, a profilaxia é indicada se houver: idade gestacional < 37 semanas, ruptura de membranas ≥ 18 horas, febre intraparto (≥ 38°C) ou teste de amplificação de ácido nucleico (NAAT) positivo para GBS.

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