GBS na Gestação: Quando Iniciar Profilaxia na RPMO?

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 19a, G1P0, idade gestacional de 39 semanas e 6 dias, comparece ao pronto atendimento com queixa de perda de líquido via vaginal há 12 horas e contrações a cada 5 minutos (há 6 horas). Refere boa movimentação fetal. Não realizou pré-natal. Exame físico; FC= 88 bpm, PA = 109 x 75 mmHg, T= 36,2°C. Exame obstétrico: altura uterina =35 cm, BCF=150 bpm, dinâmica uterina= 3 contrações moderadas de 40 segundos em 10 minutos. Exame especular: saída de moderada quantidade de líquido claro com grumos grossos pelo orifício externo do colo. Toque vaginal: colo dilatado 5 cm, medianizado, 80% esvaecido, feto cefálico, plano - 2 de DeLee. EM RELAÇÃO AO ESTREPTOCOCO DO GRUPO B, A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Coletar cultura e, se positiva, iniciar profilaxia.
  2. B) Iniciar imediatamente profilaxia.
  3. C) Iniciar profilaxia em 6 horas.
  4. D) Não tem indicação de profilaxia.

Pérola Clínica

GBS desconhecido + RPMO > 18h ou febre OU trabalho de parto ativo → Profilaxia ATB. Objetivo: ≥ 4h de cobertura.

Resumo-Chave

Em gestante com status de GBS desconhecido e em trabalho de parto ativo com rotura prematura de membranas (RPMO), a profilaxia antibiótica intraparto é indicada. Embora a RPMO não tenha atingido 18 horas, a ausência de pré-natal e a progressão do trabalho de parto justificam a profilaxia para prevenir sepse neonatal por GBS, visando pelo menos 4 horas de cobertura antibiótica antes do parto.

Contexto Educacional

A infecção neonatal precoce por Estreptococo do Grupo B (GBS) é uma das principais causas de morbimortalidade em recém-nascidos, incluindo sepse, pneumonia e meningite. A profilaxia antibiótica intraparto (PAI) é uma estratégia eficaz para reduzir a transmissão vertical da bactéria e a incidência dessas infecções. É fundamental que residentes de Ginecologia e Obstetrícia e Pediatria compreendam as indicações e o manejo da PAI. O rastreamento de GBS é realizado por cultura de swab retal e vaginal entre 35 e 37 semanas de gestação. No entanto, em pacientes sem pré-natal, o status de GBS é desconhecido, o que as coloca em uma categoria de risco. Nesses casos, a decisão de iniciar a PAI baseia-se na presença de fatores de risco adicionais, como trabalho de parto prematuro, febre intraparto (temperatura ≥ 38°C) ou rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) com duração igual ou superior a 18 horas. No caso apresentado, a paciente tem status de GBS desconhecido devido à ausência de pré-natal, está em trabalho de parto ativo e apresenta RPMO há 12 horas. Embora a RPMO não tenha atingido 18 horas, a combinação de status desconhecido e trabalho de parto ativo justifica a PAI. O objetivo é administrar antibióticos (geralmente penicilina G ou ampicilina) por pelo menos 4 horas antes do parto para que atinjam níveis terapêuticos no líquido amniótico e no feto, minimizando o risco de infecção neonatal. Portanto, a conduta é iniciar a profilaxia o mais breve possível para garantir essa cobertura.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para profilaxia de Estreptococo do Grupo B (GBS) intraparto?

As principais indicações incluem cultura positiva para GBS na gestação atual, bacteriúria por GBS na gestação atual, histórico de filho com doença invasiva por GBS, status de GBS desconhecido com fatores de risco (trabalho de parto prematuro, rotura de membranas há 18 horas ou mais, febre intraparto) ou ausência de pré-natal.

Qual a importância da profilaxia de GBS em gestantes com ausência de pré-natal?

A ausência de pré-natal impede a realização da cultura de GBS entre 35-37 semanas, tornando o status da paciente desconhecido. Nesses casos, a paciente é considerada de risco e a profilaxia intraparto é indicada se houver outros fatores de risco, como trabalho de parto ativo ou rotura prematura de membranas, para prevenir a sepse neonatal precoce por GBS.

Qual o objetivo da profilaxia antibiótica para GBS e qual o tempo ideal de administração?

O objetivo da profilaxia é reduzir a carga bacteriana de GBS no trato genital materno durante o trabalho de parto, diminuindo o risco de transmissão vertical para o recém-nascido e, consequentemente, a incidência de sepse neonatal precoce. O ideal é que a gestante receba pelo menos 4 horas de cobertura antibiótica (geralmente penicilina ou ampicilina) antes do parto para máxima eficácia.

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