UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 37a, procura atendimento por migrânea sem controle adequado das crises. Antecedentes pessoais: obesidade, constipação e epilepsia (refere três crises epilépticas no último ano). A medicação indicada para controle da migranea é:
Migrânea + Obesidade + Epilepsia → Topiramato (trata as crises e auxilia na perda de peso).
O topiramato é a escolha ideal para profilaxia de migrânea em pacientes com obesidade e epilepsia, pois atua em múltiplos alvos terapêuticos simultaneamente.
A profilaxia da migrânea é indicada quando as crises são frequentes (geralmente > 3-4 dias por mês), incapacitantes ou quando o tratamento agudo é ineficaz ou contraindicado. A escolha do agente profilático deve ser individualizada, transformando as comorbidades do paciente em guias para a seleção da droga. No caso de um paciente com obesidade e epilepsia, o topiramato surge como a opção mais racional. O topiramato não apenas reduz a frequência e intensidade das crises de enxaqueca, mas também atua como um anticonvulsivante eficaz e auxilia no controle ponderal. Em contraste, o propranolol (betabloqueador) poderia ser contraindicado se houvesse asma ou bradicardia e não ajudaria na perda de peso; a amitriptilina (tricíclico) e o valproato (anticonvulsivante) são conhecidos por causar ganho de peso significativo, o que seria prejudicial para um paciente obeso. A carbamazepina, embora anticonvulsivante, não possui evidência robusta para a profilaxia da migrânea.
O topiramato é um dos poucos medicamentos profiláticos para migrânea que está associado à perda de peso ou neutralidade ponderal. Diferente de outras opções como amitriptilina, valproato ou betabloqueadores, que frequentemente causam ganho de peso, o topiramato auxilia no manejo da obesidade, uma comorbidade comum que agrava o prognóstico da enxaqueca.
O topiramato possui múltiplos mecanismos de ação: bloqueio de canais de sódio voltagem-dependentes, potenciação da atividade do GABA (inibitório), antagonismo de receptores de glutamato tipo AMPA/cainato e inibição da anidrase carbônica. Essa ação multialvo estabiliza a hiperexcitabilidade cortical presente tanto na epilepsia quanto na fisiopatologia da migrânea.
Embora eficaz, o topiramato pode causar parestesias (formigamento em extremidades), lentificação cognitiva ('fog' mental), alteração do paladar (gosto metálico para bebidas gaseificadas) e risco aumentado de nefrolitíase. A titulação deve ser lenta para minimizar esses efeitos e garantir a tolerância do paciente.
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