Esplenectomia e Rituximabe: Prevenção de Infecções

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Você atua como Médico de Família e Comunidade em uma Unidade Básica de Saúde e faz seguimento de uma paciente do sexo feminino de 75 anos, que trata hipertensão arterial com enalapril há aproximadamente 10 anos e está com a carteira de vacinação em dia. Ela comparece para consulta de rotina, assintomática, quando você detecta a presença de esplenomegalia no exame abdominal e a encaminha a um hematologista para investigação diagnóstica. Um mês depois, a hematologista lhe devolve a paciente com o diagnóstico de linfoma de células B (zona marginal) esplênico. Ela propõe como tratamento esplenectomia + 4 sessões de rituximabe, um anticorpo monoclonal anti células B, e lhe pergunta quais os cuidados necessários para a prevenção de complicações infecciosas potencialmente associadas ao mesmo. Diante dessa situação, assinale dentre as alternativas abaixo aquela que contém a conduta apropriada para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Realização de teste tuberculínico e indicação de rifapentina + Isoniazida se resultado do teste maior ou igual a 5mm.
  2. B) Vacinação contra pneumococo e meningococo e Haemophilus influenzae tipo B, no mínimo 4 semanas após a cirurgia.
  3. C) Realização de teste tuberculínico e indicação de rifapentina + Isoniazida se resultado do teste maior ou igual a 10mm.
  4. D) Vacinação contra pneumococo, meningococo e Haemophilus influenzae tipo B, no mínimo 2 semanas antes da cirurgia.

Pérola Clínica

Esplenectomia + Rituximabe → Vacinação (pneumo, meningo, Hib) ≥ 2 semanas pré-cirurgia.

Resumo-Chave

Pacientes submetidos à esplenectomia, especialmente em associação com imunossupressores como o rituximabe, têm alto risco de infecções graves por bactérias encapsuladas. A vacinação pré-operatória contra pneumococo, meningococo e Haemophilus influenzae tipo B é crucial, idealmente com pelo menos duas semanas de antecedência para garantir a resposta imune.

Contexto Educacional

A esplenectomia, seja por trauma, doença hematológica ou oncológica, confere um risco vitalício de infecções graves, especialmente a Síndrome da Sepse Fulminante Pós-Esplenectomia (OPSI). Esta condição, embora rara, tem alta mortalidade e é causada principalmente por bactérias encapsuladas. A profilaxia é, portanto, um pilar fundamental no manejo desses pacientes. A vacinação é a estratégia mais eficaz para prevenir a OPSI. As vacinas essenciais incluem as contra Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo B. O momento ideal para a vacinação é no mínimo duas semanas antes da esplenectomia, permitindo tempo para a resposta imune. Em casos de esplenectomia de emergência, a vacinação deve ser realizada o mais cedo possível no pós-operatório. Além da vacinação, a educação do paciente sobre os sinais de infecção e a necessidade de procurar atendimento médico imediato em caso de febre é crucial. Alguns pacientes podem se beneficiar de profilaxia antibiótica contínua, especialmente crianças e aqueles com alto risco. O uso de rituximabe, um imunossupressor, agrava o risco infeccioso, reforçando a importância de uma abordagem profilática abrangente.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes esplenectomizados são mais suscetíveis a infecções?

O baço é um órgão linfoide crucial na defesa contra bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo B, devido à sua função de filtração e produção de opsoninas.

Quais vacinas são recomendadas antes da esplenectomia?

São recomendadas as vacinas contra pneumococo (conjugada e polissacarídica), meningococo (ACWY e B) e Haemophilus influenzae tipo B (Hib), idealmente com pelo menos 2 semanas de antecedência da cirurgia.

Qual o papel do rituximabe na imunossupressão e risco infeccioso?

O rituximabe é um anticorpo monoclonal anti-CD20 que causa depleção de células B, comprometendo a resposta imune humoral e aumentando o risco de infecções bacterianas e virais, especialmente quando associado à asplenia.

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