Profilaxia de Oportunistas em HIV: Guia Essencial

HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 34 anos comparece na consulta de retorno, após ter recebido o diagnóstico de infecção pelo HIV, solicitado como rastreio em avaliação periódica de saúde. Ele não apresenta nenhuma queixa. Nega ter o diagnóstico de outras doenças atuais ou prévias ou fazer uso diário de quaisquer medicamentos. O exame físico não apresenta anormalidades. Traz os seguintes resultados de exames: Exames de laboratório: hemoglobina 13,9g/dL; leucócitos 5.460/mm³; neutrófilos segmentados 4.190/mm³; linfócitos 780/mm³; plaquetas 183.000/mm³; creatinina 1,0mg/dL; carga viral de HIV 345.000cópias/μL; linfócitos CD4 80/μL; teste tuberculínico 7mm; toxoplasmose IgG positivo e IgM negativo; VDRL não reator; anti-HBs positivo; HBsAg negativo; anti-HCV negativo. Radiografia do tórax: sem anormalidades. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a prescrição MAIS ADEQUADA para a profilaxia de infecções oportunistas nesse paciente, além dos antirretrovirais:

Alternativas

  1. A) Azitromicina; isoniazida.
  2. B) Isoniazida; azitromicina; sulfametoxazol-trimetoprim.
  3. C) Isoniazida; sulfametoxazol-trimetoprim.
  4. D) Sulfametoxazol-trimetoprim.

Pérola Clínica

HIV CD4 <200 → SMX-TMP (PCP/Toxo); PPD ≥5mm → Isoniazida (ILTB).

Resumo-Chave

Em pacientes com HIV, a contagem de linfócitos CD4 é o principal guia para a profilaxia de infecções oportunistas. Com CD4 <200/μL, Sulfametoxazol-trimetoprim é indicado para prevenir Pneumocystis jirovecii pneumonia (PCP) e toxoplasmose (se IgG+). Um PPD ≥5mm em HIV+ indica infecção latente por tuberculose (ILTB), exigindo profilaxia com Isoniazida. Azitromicina para MAC é reservada para CD4 <50/μL.

Contexto Educacional

O manejo do paciente recém-diagnosticado com HIV envolve a avaliação da carga viral e da contagem de linfócitos CD4, que são cruciais para determinar o estágio da doença e a necessidade de profilaxia para infecções oportunistas. O início da terapia antirretroviral (TARV) é fundamental para restaurar a imunidade, mas a profilaxia é necessária até que a reconstituição imune seja alcançada. A fisiopatologia da imunodeficiência no HIV leva a uma suscetibilidade aumentada a uma série de infecções. A profilaxia é baseada em limiares de CD4. Para Pneumocystis jirovecii pneumonia (PCP), a profilaxia com Sulfametoxazol-trimetoprim é iniciada quando CD4 <200/μL. Para toxoplasmose cerebral, a mesma medicação é usada se CD4 <100/μL e o paciente for soropositivo para Toxoplasma. A tuberculose latente, diagnosticada por PPD ≥5mm em HIV+, requer profilaxia com Isoniazida. O tratamento da infecção pelo HIV com TARV é a medida mais importante para prevenir infecções oportunistas a longo prazo. As profilaxias são mantidas até que a contagem de CD4 se eleve e se mantenha acima dos limiares de risco por um período determinado. É vital identificar e tratar as infecções oportunistas de forma adequada para reduzir a morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com HIV.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da contagem de CD4 na profilaxia de infecções oportunistas em HIV?

A contagem de CD4 é o principal marcador imunológico que guia a necessidade de profilaxia para infecções oportunistas. Níveis abaixo de 200/μL, 100/μL e 50/μL indicam riscos crescentes para PCP, toxoplasmose e MAC, respectivamente, determinando as medicações profiláticas.

Por que o Sulfametoxazol-trimetoprim é a escolha para profilaxia de PCP e toxoplasmose em HIV?

O Sulfametoxazol-trimetoprim é eficaz contra Pneumocystis jirovecii e Toxoplasma gondii. É a droga de escolha para profilaxia primária de PCP quando CD4 <200/μL e para toxoplasmose cerebral quando CD4 <100/μL e IgG positivo, devido ao seu amplo espectro e eficácia.

Quando a profilaxia para tuberculose latente é indicada em pacientes com HIV?

A profilaxia para tuberculose latente (ILTB) é indicada em pacientes com HIV que apresentam PPD ≥ 5mm, independentemente da contagem de CD4, após exclusão de tuberculose ativa. A Isoniazida é a medicação mais comumente utilizada para essa profilaxia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo