SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Um homem de 28 anos, recém-diagnosticado com HIV, foi encaminhado ao serviço de infectologia do Hospital Oswaldo Cruz para avaliação. Ele relata ter sido diagnosticado após um episódio de linfadenopatia persistente, mas está assintomático no momento. A contagem de CD4 está em 180 células/mm², e a carga viral é de 100.000 cópias/mL. O paciente nega uso de medicamentos prévios e informa estar em preparo para iniciar terapia antirretroviral (TARV) nas próximas semanas. Ele deseja entender melhor as medidas de profilaxia para infecções oportunistas, principalmente considerando seu quadro clínico e status imunológico. Qual a conduta CORRETA em relação à profilaxia para Pneumocystis jirovecii?
HIV + CD4 < 200 cel/mm³ → Iniciar SMX-TMP para profilaxia de Pneumocistose.
A profilaxia primária para Pneumocystis jirovecii com SMX-TMP é mandatória em pacientes HIV positivos com contagem de CD4 inferior a 200 células/mm³.
A Pneumocistose, causada pelo fungo onipresente Pneumocystis jirovecii, continua sendo uma das infecções oportunistas mais relevantes no cenário do HIV/AIDS, especialmente em pacientes com diagnóstico tardio ou baixa adesão à TARV. A fisiopatologia envolve a colonização alveolar e uma resposta inflamatória intensa que compromete a troca gasosa, levando à hipoxemia progressiva. O uso do Sulfametoxazol-Trimetoprima como profilaxia é uma das intervenções de maior custo-benefício na medicina do HIV. Além da eficácia direta contra o fungo, o SMX-TMP reduz a morbidade por outras patologias. O manejo clínico exige vigilância para efeitos colaterais comuns, como exantemas e toxicidade medular, mas a manutenção da profilaxia até a recuperação imune é um pilar fundamental do cuidado integral ao paciente vivendo com HIV.
A profilaxia primária para a pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP) está indicada para todos os pacientes adultos e adolescentes vivendo com HIV que apresentam uma contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células/mm³ ou uma porcentagem de CD4+ inferior a 14%. Também é recomendada para pacientes com candidíase oral persistente ou outras doenças definidoras de AIDS, independentemente da contagem de CD4. O objetivo é reduzir a incidência desta infecção oportunista, que historicamente é uma das principais causas de insuficiência respiratória e morte em pacientes com imunossupressão avançada por HIV.
O medicamento de primeira escolha para a profilaxia da PCP é o Sulfametoxazol-Trimetoprima (SMX-TMP), geralmente na dose de um comprimido de dose dupla (800/160 mg) ou um comprimido de dose simples (400/80 mg) diariamente. O SMX-TMP também oferece proteção adicional contra a toxoplasmose cerebral (se CD4 < 100) e algumas infecções bacterianas respiratórias. Em pacientes com hipersensibilidade grave às sulfas, as alternativas incluem a Dapsona, a combinação de Dapsona com Pirimetamina e Leucovorin, a Atovaquona ou a Pentamidina inalatória, embora esta última seja menos eficaz e não proteja contra a toxoplasmose.
A profilaxia primária para Pneumocystis jirovecii pode ser descontinuada com segurança em pacientes que responderam à Terapia Antirretroviral (TARV) com um aumento sustentado na contagem de linfócitos T CD4+ para valores acima de 200 células/mm³ por um período mínimo de três a seis meses. A interrupção baseia-se na restauração imunológica que reduz o risco de infecção oportunista a níveis muito baixos. Caso a contagem de CD4+ caia novamente para menos de 200 células/mm³, a profilaxia deve ser reiniciada imediatamente para garantir a proteção do paciente.
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