Profilaxia de Infecção Cirúrgica: Escolha e Duração

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2020

Enunciado

O manejo da prevenção da infecção do sítio cirúrgico (ISC) leva em consideração fatores de risco e conhecimento acerca do patógeno, além da escolha de antibiótico ideal, de maior eficácia, com espectro de ação mais estreito. Considerando essa informação, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O preparo mecânico e a descontaminação oral com neomicina + metronidazol via oral na véspera de uma colectomia direita eletiva por neoplasia de cólon são indicados e evitam a profilaxia endovenosa na indução anestésica.
  2. B) As cefalosporinas são antibióticos betalactâmicos muito usados na profilaxia da ISC, agindo, no envelope celular, como bactericidas.
  3. C) Na colecistectomia laparoscópica eletiva por colelitíase, em paciente sem fatores de risco para ISC, está indicada a cefoxitina 2 g EV na indução anestésica, permanecendo, no pós-operatório, por 48 horas.
  4. D) A hemorroidectomia Milligan-Morgan é uma cirurgia contaminada, pois o ânus é um tecido colonizado por flora microbiana abundante, de difícil descontaminação, e há uma ferida traumática aberta e com contaminação grosseira durante a cirurgia, devendo ser realizada antibioticoterapia.
  5. E) Obesidade, desnutrição, diabetes mellitus, tabagismo e infecções coexistentes são fatores de risco para ISC comumente observados nos pacientes que serão submetidos a cirurgia bariátrica, e, por esse motivo, a antibioticoprofilaxia deve ser mantida durante toda a internação.

Pérola Clínica

Cefalosporinas são betalactâmicos bactericidas, essenciais na profilaxia de ISC, agindo na parede celular bacteriana.

Resumo-Chave

A profilaxia antibiótica em cirurgia visa reduzir a incidência de infecção do sítio cirúrgico (ISC) e deve ser administrada no momento correto (indução anestésica) e pelo tempo adequado (geralmente dose única ou até 24h). As cefalosporinas são frequentemente escolhidas por seu espectro e mecanismo de ação bactericida na parede celular.

Contexto Educacional

A prevenção da infecção do sítio cirúrgico (ISC) é um pilar fundamental da segurança do paciente em cirurgia, impactando diretamente a morbidade, mortalidade e custos hospitalares. A profilaxia antibiótica cirúrgica, quando bem indicada e executada, é uma das estratégias mais eficazes. Ela se baseia no conhecimento dos fatores de risco do paciente e do procedimento, bem como da microbiologia esperada para cada tipo de cirurgia. A escolha do antibiótico deve considerar o espectro de ação mais estreito possível para cobrir os patógenos mais prováveis, minimizando a pressão seletiva para resistência. As cefalosporinas de primeira e segunda geração são frequentemente empregadas devido à sua eficácia contra bactérias Gram-positivas (como Staphylococcus aureus) e algumas Gram-negativas, e seu mecanismo de ação bactericida pela inibição da síntese da parede celular. A administração deve ocorrer no momento certo, geralmente na indução anestésica, para garantir níveis teciduais adequados durante a incisão. A duração da profilaxia é outro ponto crítico. Diretrizes atuais recomendam dose única ou, no máximo, até 24 horas para a maioria das cirurgias. A manutenção prolongada do antibiótico no pós-operatório não confere benefício adicional na prevenção da ISC e aumenta o risco de efeitos adversos, como colite por Clostridioides difficile, e o desenvolvimento de resistência antimicrobiana. Fatores de risco do paciente, como diabetes, obesidade e desnutrição, devem ser otimizados no pré-operatório, mas não justificam a extensão da profilaxia antibiótica além do recomendado.

Perguntas Frequentes

Qual o momento ideal para administrar a profilaxia antibiótica cirúrgica?

A profilaxia antibiótica deve ser administrada na indução anestésica, geralmente 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica. Isso garante que o antibiótico atinja níveis teciduais terapêuticos no momento da contaminação potencial.

Por que as cefalosporinas são frequentemente usadas na profilaxia cirúrgica?

As cefalosporinas são antibióticos betalactâmicos de amplo espectro, eficazes contra muitos patógenos comuns em infecções cirúrgicas, como Staphylococcus aureus e bactérias Gram-negativas. Elas atuam inibindo a síntese da parede celular bacteriana, resultando em efeito bactericida.

Quais são os fatores que influenciam a escolha e a duração da profilaxia antibiótica?

A escolha do antibiótico depende do tipo de cirurgia, dos patógenos esperados e do perfil de resistência local. A duração ideal é geralmente uma dose única ou até 24 horas, sendo prolongada apenas em casos específicos de cirurgias de alto risco ou contaminação estabelecida, o que já seria tratamento e não profilaxia.

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