HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025
Paciente feminina, 27 anos, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico (LES) há 3 anos, procura atendimento devido a piora progressiva de sintomas nos últimos 15 dias, incluindo febre, edema generalizado e dispneia aos esforços. Feito diagnóstico de nefrite lúpica proliferativa ativa e indicado pulsoterapia com metilprednisolona. Assinale a alternativa mais adequada em relação a condutas profiláticas antes da administração de pulso de corticoide sistêmico:
Pulsoterapia corticoide + área endêmica Strongyloides → Ivermectina profilática.
Em pacientes que serão submetidos à pulsoterapia com corticoides, especialmente aqueles provenientes de áreas endêmicas ou com fatores de risco para Strongyloides stercoralis, a profilaxia com ivermectina é crucial para prevenir a síndrome de hiperinfecção, uma complicação grave e potencialmente fatal da imunossupressão.
Pacientes com doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico (LES), frequentemente necessitam de terapias imunossupressoras potentes, incluindo a pulsoterapia com metilprednisolona, para controlar a atividade da doença, como na nefrite lúpica proliferativa ativa. Embora eficazes, esses tratamentos aumentam significativamente o risco de infecções oportunistas. A profilaxia adequada é um pilar fundamental no manejo desses pacientes, sendo um tema recorrente em provas de residência e de grande importância na prática clínica. A imunossupressão, especialmente a induzida por altas doses de corticoides, pode reativar infecções latentes ou exacerbar infecções parasitárias. Um dos parasitas de maior preocupação é o Strongyloides stercoralis, endêmico em muitas regiões do Brasil e do mundo. Em pacientes imunossuprimidos, a infecção por Strongyloides pode evoluir para a síndrome de hiperinfecção, uma condição com alta mortalidade, caracterizada pela replicação acelerada do parasita e disseminação para órgãos como pulmões e sistema nervoso central. A conduta mais adequada antes da pulsoterapia com corticoides, em pacientes provenientes de áreas endêmicas ou com fatores de risco para Strongyloides stercoralis, é a realização de profilaxia com ivermectina. Esta medida visa erradicar o parasita antes que a imunossupressão possa desencadear a hiperinfecção. Não é necessário iniciar profilaxia antibiótica empírica generalizada, nem antiparasitários de amplo espectro como albendazol e praziquantel sem indicação específica para Strongyloides, pois o foco deve ser na prevenção das infecções mais graves e previsíveis associadas à imunossupressão.
A profilaxia para Strongyloides stercoralis é crucial porque a imunossupressão induzida pelos corticoides pode levar à síndrome de hiperinfecção por Strongyloides, uma condição grave e potencialmente fatal. Nesses pacientes, o parasita pode se replicar descontroladamente, causando disseminação para múltiplos órgãos.
A profilaxia com ivermectina é recomendada para pacientes que serão submetidos a imunossupressão significativa (como pulsoterapia com corticoides) e que são provenientes de áreas endêmicas para Strongyloides stercoralis ou que possuem fatores de risco, como eosinofilia inexplicada ou histórico de exposição.
A ivermectina é o medicamento de escolha para a profilaxia e tratamento da estrongiloidíase. Geralmente, uma dose única ou um curso curto de ivermectina é suficiente para erradicar o parasita antes do início da imunossupressão.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo