Profilaxia HIV Neonatal: AZT e Nevirapina para RN de Alto Risco

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Ana Cláudia é uma recém-nascida de 30 dias que é trazida para a consulta de rotina de puericultura por sua mãe, Cristina, de 32 anos. Cristina descobriu HIV durante o parto. Ela havia realizado o teste de HIV durante a gestação somente na primeira consulta, no primeiro trimestre. Assinale a alternativa correta sobre qual a conduta mais adequada que o médico de família e comunidade (MFC) deve tomar em relação ao cuidado de rotina da criança exposta ao HIV:

Alternativas

  1. A) O MFC deve confirmar que o recém-nascido iniciou zidovudina (AZT) e nevirapina (NPV) após o nascimento e use ambos até completar 60 dias de vida.
  2. B) O MFC deve confirmar que o recém-nascido iniciou AZT após o nascimento e tenha feito uso até completar 28 dias de vida.
  3. C) O MFC deve confirmar que o recém-nascido iniciou AZT após o nascimento e use até completar 60 dias de vida.
  4. D) O MFC deve confirmar que o recém-nascido iniciou AZT e NPV após o nascimento e tenha feito uso até completar 28 dias de vida.

Pérola Clínica

RN de mãe HIV com diagnóstico tardio → AZT + Nevirapina por 60 dias para profilaxia.

Resumo-Chave

Em casos de diagnóstico tardio de HIV na gestante (ou ausência de profilaxia adequada), o RN é considerado de alto risco. A profilaxia combinada com AZT e Nevirapina por 60 dias é essencial para reduzir o risco de transmissão vertical, cobrindo um período mais longo e com maior espectro de ação, otimizando a proteção.

Contexto Educacional

A transmissão vertical do HIV, da mãe para o filho, é uma preocupação significativa na saúde pública. A profilaxia adequada durante a gestação, parto e pós-parto pode reduzir drasticamente o risco de transmissão. No entanto, em situações onde o diagnóstico de HIV na gestante é tardio ou a profilaxia não foi realizada ou foi inadequada, o recém-nascido é considerado de alto risco para infecção e necessita de um regime profilático mais intensivo. Para recém-nascidos de alto risco, a profilaxia antirretroviral é intensificada. As diretrizes atuais recomendam a combinação de zidovudina (AZT) e nevirapina (NPV). O AZT é um inibidor da transcriptase reversa nucleosídeo, enquanto a nevirapina é um inibidor da transcriptase reversa não nucleosídeo, e a combinação oferece um regime mais potente e abrangente para prevenir a replicação viral. A duração da profilaxia para esses recém-nascidos de alto risco é de 60 dias para ambos os medicamentos. É fundamental que o médico de família e comunidade (MFC) ou pediatra confirme o início e a adesão a este regime, além de realizar o acompanhamento sorológico e virológico do bebê para confirmar ou excluir a infecção por HIV. O aleitamento materno é contraindicado em mães HIV positivas para evitar a transmissão pós-natal.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença na profilaxia para RN de mães HIV com e sem profilaxia adequada?

RN de mães com profilaxia adequada e carga viral indetectável geralmente recebem apenas AZT por 28 dias. RN de mães sem profilaxia, com diagnóstico tardio ou carga viral detectável recebem AZT + Nevirapina por 60 dias, devido ao maior risco de transmissão.

Por que a Nevirapina é adicionada à profilaxia em casos de alto risco?

A Nevirapina é um inibidor da transcriptase reversa não nucleosídeo que, em combinação com o AZT, oferece uma cobertura mais robusta e eficaz contra o HIV. É especialmente importante em situações de maior carga viral materna ou ausência de tratamento pré-natal, aumentando a chance de prevenir a infecção.

Qual a importância do acompanhamento do RN exposto ao HIV?

O acompanhamento é crucial para monitorar a adesão à profilaxia, realizar testes diagnósticos para HIV no RN (PCR para DNA/RNA viral) em momentos específicos (ex: 15-30 dias, 1-2 meses, 4-6 meses) e garantir o suporte nutricional e imunológico adequado, além de vacinação.

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