Gastropatia por AINES: Prevenção e Manejo do H. pylori

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 50 anos de idade, portadora de artrite reumatoide, cujo tratamento exigirá a introdução de anti-inflamatórios não esteroides (AINES) por tempo prolongado, apresenta endoscopia digestiva alta com gastrite leve antral e teste da urease positivo. A conduta indicada para essa paciente é

Alternativas

  1. A) indicar o inibidor da bomba de prótons por 30 dias, antes do início dos anti- inflamatórios não esteroidais, e mantê-lo durante todo o período de uso desses AINES.
  2. B) tratar a gastrite com inibidor de bomba de prótons; repetir a endoscopia para observar resolução da inflamação e confirmar se há H. pylori por biópsia e, só após, iniciar os AINES.
  3. C) indicar a erradicação do Helicobacter pylori, seguida do uso de inibidor da bomba de prótons (IBP), enquanto durar o tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais.
  4. D) tratar a gastrite com IBP; fazer um teste respiratório para confirmar a presença do H. pylori e trata-la, caso positivo. Só após, dar início ao tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais.

Pérola Clínica

AR + AINES prolongado + H. pylori positivo → Erradicar H. pylori + IBP contínuo.

Resumo-Chave

Pacientes com fatores de risco para gastropatia por AINES, como idade avançada, uso prolongado, e infecção por H. pylori, devem ter o H. pylori erradicado antes ou concomitantemente ao início dos AINES, além de receber profilaxia com IBP durante todo o período de uso.

Contexto Educacional

A gastropatia induzida por anti-inflamatórios não esteroides (AINES) é uma complicação comum e potencialmente grave, especialmente em pacientes com fatores de risco como idade avançada, uso concomitante de corticosteroides ou anticoagulantes, e infecção por Helicobacter pylori. A artrite reumatoide frequentemente exige o uso prolongado de AINES, tornando a profilaxia essencial para esses pacientes. A fisiopatologia envolve a inibição da ciclooxigenase-1 (COX-1), que é responsável pela produção de prostaglandinas citoprotetoras na mucosa gástrica. A presença de H. pylori agrava esse dano, aumentando o risco de úlceras e sangramentos. O diagnóstico de H. pylori pode ser feito por teste da urease na endoscopia, teste respiratório ou pesquisa de antígenos nas fezes. A conduta terapêutica em pacientes com fatores de risco e H. pylori positivo que necessitarão de AINES prolongados inclui a erradicação do H. pylori antes ou no início da terapia com AINES, seguida da manutenção de um inibidor de bomba de prótons (IBP) durante todo o período de uso dos AINES. Essa abordagem combinada é a mais eficaz para reduzir o risco de complicações gastrointestinais graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para gastropatia induzida por AINES?

Os principais fatores incluem idade > 60 anos, história prévia de úlcera péptica ou sangramento gastrointestinal, uso concomitante de anticoagulantes ou corticosteroides, e infecção por Helicobacter pylori.

Por que a erradicação do H. pylori é importante antes de iniciar AINES prolongados?

A erradicação do H. pylori reduz significativamente o risco de úlceras pépticas e complicações gastrointestinais em pacientes que necessitam de terapia prolongada com AINES, especialmente naqueles com fatores de risco.

Qual a diferença entre profilaxia primária e secundária da gastropatia por AINES?

A profilaxia primária é para pacientes sem história prévia de úlcera, mas com fatores de risco. A secundária é para aqueles com história de úlcera ou sangramento, onde o IBP é mandatório e a erradicação do H. pylori é crucial.

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