Profilaxia GBS na Gestação: Quando Iniciar e Evitar

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Primigesta com 38 semanas e 4 dias de gestação, internada com diagnóstico de coriomniorrexe prematura há 6 horas, em indução do trabalho de parto, apresentando colo fino, 4 cm de dilatação. No cartão de pré-natal, há informação sobre pesquisa de estreptococo do grupo B (swab vaginal/anal) negativa realizada há 30 dias. A melhor conduta nesse caso será

Alternativas

  1. A) aguardar trabalho de parto franco e então iniciar infusão endovenosa de penicilina.
  2. B) fazer profilaxia para infecção estreptocócica somente se houver episódio de febre materna intraparto.
  3. C) iniciar imediatamente infusão endovenosa de penicilina cristalina.
  4. D) iniciar infusão endovenosa de penicilina somente após 18 horas de bolsa rota.
  5. E) não fazer profilaxia para infecção estreptocócica.

Pérola Clínica

GBS negativo < 5 semanas + sem FR = NÃO profilaxia intraparto.

Resumo-Chave

A profilaxia para GBS é indicada em casos de cultura positiva, bacteriúria por GBS na gestação atual, história de filho com doença invasiva por GBS, ou fatores de risco intraparto (febre, prematuridade, bolsa rota > 18h) com status GBS desconhecido ou positivo. Uma cultura negativa recente (até 5 semanas) afasta a necessidade de profilaxia na ausência de outros fatores.

Contexto Educacional

A profilaxia para Estreptococo do Grupo B (GBS) é uma medida crucial na obstetrícia para prevenir a doença neonatal invasiva precoce, uma das principais causas de sepse e meningite em recém-nascidos. A infecção por GBS pode ser transmitida verticalmente durante o parto. A identificação das gestantes colonizadas e a administração de antibióticos intraparto reduz significativamente o risco de transmissão. O diagnóstico da colonização por GBS é feito por cultura de swab vaginal e anal entre 35 e 37 semanas de gestação. Em casos de coriomniorrexe prematura (bolsa rota), a decisão de iniciar a profilaxia antibiótica deve considerar o resultado dessa cultura. Se a cultura for negativa e tiver sido realizada há menos de 5 semanas, e não houver outros fatores de risco como febre intraparto, trabalho de parto prematuro ou bacteriúria por GBS na gestação atual, a profilaxia não é indicada. É fundamental que residentes e estudantes de medicina compreendam os critérios para a profilaxia de GBS, evitando tanto o subtratamento quanto o uso desnecessário de antibióticos. A validade da cultura e a presença de fatores de risco são determinantes para uma conduta adequada, visando a segurança materno-fetal e a prevenção de resistência antimicrobiana.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para a profilaxia intraparto de GBS?

As principais indicações incluem cultura GBS positiva na gestação atual, bacteriúria por GBS na gestação atual, história de filho com doença invasiva por GBS, e status GBS desconhecido com fatores de risco como prematuridade, bolsa rota prolongada (>18h) ou febre intraparto.

Qual a validade de uma cultura de GBS negativa para definir a conduta?

Uma cultura de GBS (swab vaginal/anal) negativa é válida por 5 semanas. Se realizada dentro desse período e não houver outros fatores de risco, a profilaxia intraparto não é necessária.

Em um caso de coriomniorrexe prematura, a profilaxia para GBS é sempre indicada?

Não, a profilaxia para GBS em caso de coriomniorrexe prematura depende do status de GBS da gestante. Se a cultura for negativa e válida (realizada há menos de 5 semanas), e não houver outros fatores de risco como febre, a profilaxia não é indicada.

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