Sepse Neonatal Prévia: Profilaxia GBS no Parto

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Multigesta (G4PN3), 32 anos, com 35 semanas de gestação, procurou atendimento com contrações uterinas há 6 horas. Sem outras queixas. Refere que na última gestação, seu recém-nascido teve "quadro grave, foi transferido para UTI logo no primeiro dia de vida, precisou de antibiótico por 10 dias e quase morreu". Pré-natal sem intercorrências até o momento, com exames de sangue, culturas e ultrassonografias normais. Exame físico geral normal, altura uterina 33 cm, 4 contrações moderadas de 40 segundos/10 minutos, boa vitalidade fetal e colo curto, dilatado 4 cm, feto cefálico, com bolsa íntegra.Qual é a alternativa adequada na assistência dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Condução do parto com sulfato de magnésio endovenoso.
  2. B) Assistência ao parto com penicilina cristalina endovenosa.
  3. C) Inibição do trabalho de parto com administração de nifedipina oral.
  4. D) Duas doses de betametasona intramuscular intercaladas por 24 horas.

Pérola Clínica

História de sepse neonatal prévia → profilaxia GBS intraparto com penicilina cristalina.

Resumo-Chave

O histórico de um recém-nascido com quadro grave (sugestivo de sepse neonatal precoce) em gestação anterior é uma indicação absoluta para profilaxia intraparto para Estreptococo do Grupo B (GBS), mesmo sem cultura positiva atual, sendo a penicilina cristalina a droga de escolha.

Contexto Educacional

A sepse neonatal precoce por Estreptococo do Grupo B (GBS) é uma condição grave que pode levar a morbidade e mortalidade significativas em recém-nascidos. A prevenção é a chave, e a profilaxia intraparto com antibióticos é a estratégia mais eficaz para reduzir a transmissão vertical do GBS da mãe para o bebê. A identificação dos fatores de risco é crucial para a tomada de decisão. Neste caso, a paciente apresenta um histórico de recém-nascido com "quadro grave" (sugestivo de sepse neonatal precoce) na gestação anterior. Este é um dos fatores de risco mais importantes e uma indicação absoluta para a profilaxia intraparto para GBS, independentemente do resultado da cultura atual para GBS. A penicilina cristalina endovenosa é o antibiótico de escolha, administrada no início do trabalho de parto ou na ruptura das membranas, para garantir níveis terapêuticos no momento do nascimento. Embora a paciente esteja em trabalho de parto prematuro (35 semanas), a principal preocupação imediata, dada a história, é a prevenção da sepse por GBS. A inibição do trabalho de parto (tocólise) ou a administração de corticoide para maturação pulmonar fetal seriam consideradas em outras circunstâncias, mas a prioridade aqui é a profilaxia antibiótica. O sulfato de magnésio é usado para neuroproteção fetal em partos prematuros extremos (<32 semanas) ou para eclâmpsia, não sendo a indicação primária neste cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para profilaxia intraparto para Estreptococo do Grupo B (GBS)?

As indicações incluem cultura positiva para GBS na gestação atual, bacteriúria por GBS em qualquer momento da gestação, histórico de recém-nascido com doença invasiva por GBS em gestação anterior, e trabalho de parto prematuro com status de GBS desconhecido.

Por que a penicilina cristalina é a droga de escolha para profilaxia de GBS?

A penicilina cristalina é a droga de escolha devido à sua alta eficácia contra GBS, baixo custo, bom perfil de segurança para a mãe e o feto, e capacidade de atingir níveis terapêuticos no líquido amniótico e no sangue fetal.

Qual o risco de não realizar a profilaxia de GBS em casos indicados?

A ausência de profilaxia em casos indicados aumenta significativamente o risco de sepse neonatal precoce por GBS, uma condição grave que pode levar a pneumonia, meningite e óbito no recém-nascido.

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