UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Gestante foi admitida na 29ª semana de gravidez com queixa de dor em baixo ventre e perda de líquido. Ao exame obstétrico, apresentava metrossístoles 2/10’/20”, AFU = 27cm, BCF = 144bpm. Toque vaginal com colo em centralização, 70% apagado, 2cm dilatado, apresentação cefálica, líquido claro sem grumos. Iniciada ampicilina, azitromicina, betametasona e sulfato de magnésio, a paciente permaneceu internada em vigilância clínica materna e fetal. Com 34 semanas de gestação, foi encaminhada para indução do parto. A medicação que deve ser repetida, nesse caso, é:
Gestante com ameaça de parto prematuro, se parto ocorrer após 34 semanas, repetir profilaxia para EGB (Ampicilina).
A profilaxia para Estreptococo do Grupo B (EGB) é indicada para gestantes com ameaça de parto prematuro que evoluem para o parto. Se a paciente recebeu a profilaxia antes de 34 semanas e o parto é induzido com 34 semanas ou mais, a dose de ampicilina deve ser repetida para garantir cobertura adequada durante o trabalho de parto ativo.
A ameaça de parto prematuro é uma condição obstétrica comum que exige manejo cuidadoso para otimizar os resultados maternos e neonatais. A conduta inicial envolve a avaliação da idade gestacional, o risco de infecção, a necessidade de maturação pulmonar fetal e neuroproteção. No caso apresentado, a gestante recebeu um esquema completo de tratamento para ameaça de parto prematuro, incluindo antibióticos (ampicilina e azitromicina para cobrir infecções e possível corioamnionite subclínica), betametasona para maturação pulmonar e sulfato de magnésio para neuroproteção. A profilaxia para Estreptococo do Grupo B (EGB) é crucial para prevenir a sepse neonatal precoce. A ampicilina é o antibiótico de escolha para essa profilaxia. A indicação de profilaxia para EGB se estende a gestantes com trabalho de parto prematuro, mesmo sem cultura positiva, devido ao risco aumentado de transmissão vertical. A administração da ampicilina deve ser mantida a cada 4 horas durante o trabalho de parto ativo. No cenário da questão, a paciente foi internada com 29 semanas e o parto foi induzido com 34 semanas. Embora tenha recebido ampicilina inicialmente, a cobertura antibiótica para EGB deve ser garantida no momento do parto. Como o intervalo entre a dose inicial e a indução do parto é prolongado (várias semanas), a ampicilina deve ser repetida para assegurar níveis terapêuticos durante o trabalho de parto e proteger o recém-nascido contra a infecção por EGB. A betametasona e o sulfato de magnésio não precisam ser repetidos, pois seus efeitos são de longa duração ou já cumpriram seu propósito no período crítico.
A profilaxia para EGB é indicada em gestantes com cultura positiva para EGB, bacteriúria por EGB, história de filho anterior com doença invasiva por EGB, ou em situações de risco como trabalho de parto prematuro, ruptura prolongada de membranas (>18h) ou febre intraparto.
O esquema padrão de betametasona para maturação pulmonar fetal é de duas doses de 12 mg IM, com intervalo de 24 horas entre as doses, administrado entre 24 e 34 semanas de gestação em casos de ameaça de parto prematuro.
O sulfato de magnésio é utilizado para neuroproteção fetal em partos prematuros iminentes, especialmente entre 24 e 32 semanas de gestação. Ele reduz o risco de paralisia cerebral e outras disfunções neurológicas em recém-nascidos prematuros.
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