Enxaqueca Crônica: Escolha da Profilaxia Adequada

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 30 anos procura atendimento no posto de saúde devido a episódios de cefaleia holocraniana em aperto, desde os 20 anos. Durante os episódios, a paciente deixa de fazer atividades cotidianas, assim como prefere ficar em seu quarto com janela fechada e sem barulho. Ao tentar fazer atividade física durante os episódios, relata piora dos sintomas com dor pulsátil em região temporal. Nega vômitos durante os episódios. Se não tomar analgésicos, a paciente refere que fica até dois dias com dor. Faz uso de paracetamol 1 grama durante os episódios e, em algumas ocasiões, faz uso deste medicamento mais de duas vezes ao dia . Nos últimos meses, apresenta em média 8 crises ao mês. É portadora de Asma e tem exame físico e neurológico normais.Qual das medicações a seguir deve ser utilizada na paciente acima para diminuir a ocorrência de crises de cefaleia? 

Alternativas

  1. A) Topiramato.
  2. B) Naratriptano.
  3. C) Propranolol.
  4. D) Dipiriona.

Pérola Clínica

Cefaleia frequente (>4 crises/mês) com características de enxaqueca → profilaxia com Topiramato.

Resumo-Chave

A paciente apresenta características mistas de cefaleia tensional e enxaqueca, com alta frequência de crises (8/mês) e uso excessivo de analgésicos. A indicação para profilaxia é clara, e o topiramato é uma opção eficaz para reduzir a frequência e intensidade das crises de enxaqueca e cefaleia tensional crônica.

Contexto Educacional

A cefaleia é uma das queixas mais comuns na prática médica, e a enxaqueca, em particular, afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. É crucial para residentes e estudantes de medicina saber diferenciar os tipos de cefaleia e identificar quando a profilaxia é necessária. A enxaqueca é uma doença neurológica complexa, caracterizada por crises de dor de cabeça moderada a grave, frequentemente acompanhada de sintomas autonômicos e sensoriais. A fisiopatologia da enxaqueca envolve a ativação do sistema trigeminal, com liberação de neuropeptídeos como o CGRP, e disfunção de vias moduladoras da dor. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS). A suspeita deve surgir em pacientes com dor de cabeça recorrente, com características típicas de enxaqueca, especialmente se houver impacto funcional significativo. O tratamento da enxaqueca inclui manejo agudo (analgésicos, AINEs, triptanos) e profilático. A profilaxia é indicada para pacientes com crises frequentes (geralmente ≥4 por mês), crises prolongadas ou refratárias, ou quando há abuso de analgésicos. Topiramato, propranolol, amitriptilina e, mais recentemente, anticorpos monoclonais anti-CGRP são opções eficazes. A escolha depende das comorbidades e perfil de efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para iniciar a profilaxia da enxaqueca?

A profilaxia é indicada quando as crises são frequentes (≥4 por mês), incapacitantes, ou quando há falha, contraindicação ou intolerância ao tratamento agudo. Também é considerada em casos de cefaleia por abuso de analgésicos.

Por que o topiramato é uma boa opção para profilaxia da enxaqueca?

O topiramato é um anticonvulsivante com múltiplos mecanismos de ação, incluindo modulação de canais de sódio e cálcio, e potencialização do GABA. É eficaz na redução da frequência e intensidade das crises de enxaqueca, além de poder auxiliar na perda de peso.

Como diferenciar cefaleia tensional de enxaqueca para fins de tratamento?

A enxaqueca tipicamente tem dor pulsátil, unilateral, moderada a grave, piora com atividade física, e associa-se a náuseas/vômitos, fotofobia ou fonofobia. A cefaleia tensional é em aperto, bilateral, leve a moderada, sem piora com atividade física e sem sintomas associados. No entanto, formas crônicas podem ter sobreposição.

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