SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Mulher de 40 anos é atendida no ambulatório com queixa de cefaleia. Relata que o quadro iniciou-se na adolescência, inicialmente no período menstrual. Sempre foi caracterizado por dor em lado direito da cabeça, associada a náuseas e fotofobia, com duração de 3 a 8 horas. Conseguia lidar bem com isso até cerca de 3 meses, quando recebeu diagnóstico de esclerose sistêmica durante investigação de desconforto em mãos associado a palidez local seguida de arroxeamento e vermelhidão. Refere quadro de tristeza após essa descoberta, mas nega alterações do sono, alimentação ou perda de interesse por atividades prazerosas. Entretanto, relata que a frequência das dores de cabeça passou a ser a cada 2 ou 3 semanas e tem interesse em fazer uso de profilaxia medicamentosa. Qual das medicações abaixo é mais apropriada para esta paciente?
Enxaqueca + Esclerose Sistêmica/Raynaud → Verapamil para profilaxia, evitar betabloqueadores.
A paciente apresenta enxaqueca crônica e esclerose sistêmica com fenômeno de Raynaud. Betabloqueadores (como propranolol) são contraindicados ou devem ser usados com extrema cautela em pacientes com Raynaud devido ao risco de piora da vasoconstrição. Verapamil, um bloqueador dos canais de cálcio, é uma opção eficaz para profilaxia da enxaqueca e pode ser benéfico para o Raynaud.
A paciente apresenta um quadro clássico de enxaqueca, que se tornou mais frequente após o diagnóstico de esclerose sistêmica, indicando a necessidade de profilaxia. A esclerose sistêmica é uma doença autoimune que frequentemente cursa com fenômeno de Raynaud, caracterizado por episódios de vasoconstrição digital. A escolha da medicação profilática para enxaqueca neste cenário exige atenção às comorbidades. Betabloqueadores, como o propranolol, são frequentemente utilizados na profilaxia da enxaqueca, mas são contraindicados ou devem ser usados com extrema cautela em pacientes com fenômeno de Raynaud, pois podem exacerbar a vasoconstrição e os sintomas isquêmicos. Amitriptilina é uma opção, mas pode ter efeitos anticolinérgicos e não oferece benefício para o Raynaud. Sumatriptano é para tratamento agudo da crise, não para profilaxia. O Verapamil, um bloqueador dos canais de cálcio, é uma excelente opção para profilaxia da enxaqueca e, além disso, possui um efeito vasodilatador que pode ser benéfico para o fenômeno de Raynaud. Essa escolha terapêutica demonstra a importância de integrar o manejo das comorbidades na decisão clínica, especialmente em pacientes com doenças sistêmicas complexas.
Betabloqueadores podem agravar o fenômeno de Raynaud ao promover vasoconstrição periférica, bloqueando os receptores beta-2 adrenérgicos que mediam a vasodilatação, piorando os sintomas de isquemia digital.
O Verapamil, um bloqueador dos canais de cálcio, é eficaz na profilaxia da enxaqueca e, adicionalmente, possui propriedades vasodilatadoras que podem ser benéficas para o tratamento ou prevenção da piora do fenômeno de Raynaud.
Para crises agudas, triptanos (como sumatriptano) podem ser usados com cautela, mas é importante considerar a doença de base. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e analgésicos simples também são opções, sempre avaliando o perfil de segurança do paciente.
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