CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Qual dos antibióticos abaixo é contraindicado para ser utilizado na câmara anterior ao final da facoemulsificação?
Gentamicina intracameral → Risco de Infarto Macular (MANT) irreversível.
Aminoglicosídeos como a gentamicina são contraindicados na câmara anterior devido à toxicidade retiniana grave, especificamente o infarto macular (MANT), preferindo-se cefalosporinas ou quinolonas.
A profilaxia de endoftalmite é um pilar crítico na cirurgia de catarata moderna. Historicamente, diversos antibióticos foram testados para uso intracameral, mas a segurança farmacológica é o fator determinante. A gentamicina, embora eficaz contra diversos patógenos, possui um índice terapêutico estreito no olho, onde pequenas variações de concentração ou o contato direto com a retina levam a danos celulares permanentes. Estudos multicêntricos estabeleceram que a cefuroxima intracameral é o padrão-ouro em muitas regiões, reduzindo o risco de infecção em até 5 vezes. O conhecimento das contraindicações, como o uso de aminoglicosídeos, é essencial para o cirurgião evitar iatrogenias graves. Além da escolha do fármaco, a técnica de injeção e a diluição correta (quando não se usa apresentações comerciais específicas) são fundamentais para garantir a eficácia sem comprometer a integridade macular.
A gentamicina é contraindicada na câmara anterior devido ao alto risco de toxicidade retiniana grave, conhecida como MANT (Macular Infarction After Intracameral Antibiotics). Mesmo em doses consideradas baixas, o fármaco pode atravessar a zônula ou ser injetado acidentalmente no segmento posterior, causando isquemia macular severa, edema e perda visual irreversível. A fisiopatologia envolve a toxicidade direta aos fotorreceptores e ao epitélio pigmentado da retina, além de vasculite oclusiva. Por esse motivo, as diretrizes modernas de cirurgia de catarata recomendam o uso de Cefuroxima ou Moxifloxacino como alternativas seguras para a profilaxia de endoftalmite bacteriana.
Os antibióticos mais recomendados e validados por estudos como o da ESCRS (European Society of Cataract and Refractive Surgeons) são a Cefuroxima (cefalosporina de 2ª geração) e, mais recentemente, o Moxifloxacino (quinolona de 4ª geração). A Cefuroxima demonstrou reduzir significativamente a incidência de endoftalmite pós-operatória quando administrada na dose de 1mg em 0,1ml ao final da cirurgia. O Moxifloxacino ganha espaço por sua facilidade de uso (muitas vezes disponível em formulações comerciais prontas) e amplo espectro contra gram-positivos e gram-negativos, sem apresentar o perfil de toxicidade retiniana dos aminoglicosídeos.
A síndrome MANT refere-se ao infarto macular após o uso de antibióticos intracamerais, tipicamente associada a aminoglicosídeos como gentamicina e amicacina. Clinicamente, o paciente apresenta baixa acuidade visual súbita no pós-operatório imediato, com evidência oftalmoscópica de edema retiniano, hemorragias e áreas de não-perfusão capilar na mácula. O prognóstico visual é geralmente reservado, pois a lesão isquêmica é profunda e definitiva. Este evento adverso reforçou a necessidade de protocolos rígidos de diluição e a preferência por classes de antibióticos menos tóxicas ao tecido neuro-retiniano durante procedimentos intraoculares.
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