Profilaxia de Endocardite: Cardiopatias e Odontologia

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Assinale a alternativa correta a respeito de cardiopatia e procedimentos odontológicos.

Alternativas

  1. A) São consideradas pessoas com alto risco clínico para procedimentos invasivos odontológicos as que possuem antecedentes de infarto agudo de miocárdio.
  2. B) Estudos epidemiológicos em diferentes países mostram que mais de 40% dos casos de endocardite em cardiopatas de moderado risco clínico têm origem em intervenções odontológicas.
  3. C) As pessoas de moderado risco clínico para procedimentos odontológicos invasivos devem ser monitoradas em serviço especializado.
  4. D) Os procedimentos profiláticos da endocardite em cardiopatas de alto e moderado risco clínico para intervenções odontológicas invasivas são pouco estabelecidos.
  5. E) As pessoas de alto e moderado risco clínico para procedimentos invasivos têm a indicação de antibioticoterapia para endocardite bacteriana, quando submetidas a determinadas intervenções odontológicas.

Pérola Clínica

Profilaxia ATB para endocardite em procedimentos odontológicos invasivos é indicada para alto risco (prótese valvar, endocardite prévia, cardiopatia congênita cianótica, transplante cardíaco com valvopatia).

Resumo-Chave

A profilaxia antibiótica para endocardite infecciosa em procedimentos odontológicos invasivos é restrita a pacientes com alto risco de desenvolver a condição, como aqueles com próteses valvares, histórico de endocardite prévia, certas cardiopatias congênitas cianóticas não reparadas ou transplante cardíaco com valvopatia. Não é indicada para risco moderado.

Contexto Educacional

A profilaxia da endocardite infecciosa em procedimentos odontológicos é um tema crucial na prática médica e odontológica, frequentemente abordado em provas de residência. A endocardite infecciosa é uma condição grave com alta morbimortalidade, e sua prevenção é fundamental, especialmente em grupos de risco. As diretrizes atuais, como as da American Heart Association (AHA) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), têm sido revisadas ao longo dos anos para otimizar a indicação da profilaxia. A fisiopatologia envolve a bacteremia transitória que ocorre durante procedimentos odontológicos, permitindo que bactérias da cavidade oral se fixem em válvulas cardíacas ou endotélio danificado. O diagnóstico de endocardite é complexo, baseado em critérios clínicos, laboratoriais e ecocardiográficos (Critérios de Duke). A profilaxia antibiótica visa reduzir a magnitude e a duração da bacteremia. O tratamento da endocardite estabelecida é prolongado e envolve antibioticoterapia intravenosa, muitas vezes com necessidade de intervenção cirúrgica. Para residentes, é vital compreender que a profilaxia é restrita a um grupo seleto de pacientes de alto risco, e a escolha do antibiótico (geralmente amoxicilina) e o momento da administração são padronizados para maximizar a eficácia e minimizar a resistência.

Perguntas Frequentes

Quais são as condições cardíacas de alto risco que exigem profilaxia para endocardite?

As condições de alto risco incluem próteses valvares cardíacas, histórico prévio de endocardite infecciosa, certas cardiopatias congênitas cianóticas não reparadas e pacientes transplantados cardíacos que desenvolvem valvopatia.

Quais procedimentos odontológicos necessitam de profilaxia antibiótica?

A profilaxia é indicada para procedimentos odontológicos que envolvem manipulação da gengiva, da região periapical do dente ou perfuração da mucosa oral, como extrações, raspagens e cirurgias periodontais.

Por que a profilaxia antibiótica não é mais recomendada para pacientes de risco moderado?

Estudos demonstraram que a profilaxia em pacientes de risco moderado tem eficácia limitada na prevenção da endocardite e contribui para o aumento da resistência bacteriana, sendo os riscos superados pelos benefícios.

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