Profilaxia de Endocardite Infecciosa em Odontologia

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Em relação à profilaxia antibiótica endocardite infecciosa (ΕΙ) antes de procedimentos odontológicos invasivos, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Pacientes com valvulopatia adquirida sem prótese devem receber profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos invasivos, com Metronidazol, iniciado 3 dias antes do procedimento
  2. B) Pacientes com prótese valvar cardíaca devem receber profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos invasivos, sendo uma possibilidade terapêutica a amoxicilina isolada.
  3. C) A clindamicina é a escolha preferencial para profilaxia em pacientes com alergia à penicilina, devido à sua baixa taxa de reações adversas.
  4. D) A profilaxia antibiótica é indicada para todos os pacientes submetidos a procedimentos odontológicos, independentemente da condição cardíaca.

Pérola Clínica

Prótese valvar + procedimento odontológico invasivo → Profilaxia com Amoxicilina 2g (1h antes).

Resumo-Chave

A profilaxia para endocardite infecciosa é indicada apenas para pacientes de alto risco (próteses, endocardite prévia, cardiopatias cianóticas) em procedimentos com manipulação gengival.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa (EI) é uma patologia de alta morbimortalidade. Historicamente, a profilaxia era amplamente prescrita, mas evidências recentes mostraram que a bacteremia cotidiana (escovação, mastigação) é um fator de risco mais frequente que procedimentos isolados. Por isso, as diretrizes modernas (AHA 2021, SBC 2020) restringem o uso de antibióticos para evitar resistência bacteriana e efeitos colaterais, focando apenas no grupo de altíssimo risco onde o benefício supera o risco. A Amoxicilina é preferida pela sua excelente absorção gastrointestinal e espectro contra estreptococos do grupo viridans.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes devem receber profilaxia para endocardite?

A profilaxia antibiótica é restrita a pacientes com o maior risco de desfechos adversos por endocardite infecciosa (EI). Isso inclui portadores de próteses valvares (biológicas ou mecânicas), pacientes com história prévia de EI, cardiopatias congênitas cianóticas não reparadas ou com shunts residuais, e receptores de transplante cardíaco que desenvolveram valvulopatia. Pacientes com valvulopatias adquiridas (como a reumática) sem prótese não possuem mais indicação de profilaxia rotineira segundo as diretrizes da AHA e SBC.

Qual o esquema antibiótico de escolha para profilaxia odontológica?

O esquema padrão ouro é a Amoxicilina na dose de 2g para adultos (50mg/kg para crianças), administrada em dose única via oral, 30 a 60 minutos antes do procedimento. Caso o paciente não consiga ingerir via oral, a Ampicilina ou Ceftriaxona/Cefazolina intramuscular ou intravenosa são alternativas. Para alérgicos à penicilina, as opções incluem Cefalexina (se não houver anafilaxia prévia), Azitromicina, Claritromicina ou Doxiciclina.

Quais procedimentos odontológicos exigem profilaxia?

A profilaxia é indicada para procedimentos que envolvem a manipulação do tecido gengival, da região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral. Exemplos incluem extrações dentárias, procedimentos periodontais, biópsias e instalação de implantes. Procedimentos de baixo risco, como anestesia local em tecido não infectado, radiografias, ajuste de aparelhos ortodônticos ou queda de dentes decíduos, não requerem cobertura antibiótica.

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