Profilaxia de Endocardite Infecciosa: Indicações Atuais

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Dentre os três pacientes descritos a seguir, existe indicação de profilaxia para endocardite infecciosa no tratamento dentário no: - primeiro paciente, que possui estenose mitral reumática grave; - segundo paciente, que possui prótese valvar aórtica metálica; - terceiro paciente, com CIV operada cirurgicamente há 2 anos.

Alternativas

  1. A) apenas no primeiro paciente
  2. B) no primeiro e segundo paciente
  3. C) em todos os três pacientes
  4. D) apenas no segundo paciente

Pérola Clínica

Profilaxia endocardite = Prótese valvar, endocardite prévia, cardiopatia congênita cianótica não reparada OU reparada com shunt residual/material protético < 6 meses.

Resumo-Chave

A profilaxia para endocardite infecciosa é restrita a condições de alto risco, como próteses valvares cardíacas, história prévia de endocardite infecciosa, e certas cardiopatias congênitas (cianóticas não reparadas, reparadas com material protético nos primeiros 6 meses, ou reparadas com defeitos residuais). Estenose mitral reumática grave e CIV operada há mais de 6 meses sem defeitos residuais não são indicações.

Contexto Educacional

A profilaxia da endocardite infecciosa em procedimentos dentários é um tema de constante atualização e debate na medicina. As diretrizes atuais, tanto da American Heart Association (AHA) quanto da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), restringiram significativamente as indicações, focando apenas nos pacientes com maior risco de desenvolver endocardite e de ter desfechos adversos graves. As condições de alto risco que justificam a profilaxia incluem: presença de prótese valvar cardíaca (mecânica ou biológica), história prévia de endocardite infecciosa, e certas cardiopatias congênitas (cardiopatias congênitas cianóticas não reparadas; defeitos congênitos reparados com material protético nos primeiros 6 meses após o procedimento; ou defeitos reparados com defeitos residuais adjacentes ao local do implante protético). Condições como estenose mitral reumática grave ou CIV operada há mais de 6 meses sem defeitos residuais não se enquadram nessas indicações. É crucial que residentes compreendam essas diretrizes para evitar a prescrição desnecessária de antibióticos, que pode levar à resistência antimicrobiana e a reações adversas, ao mesmo tempo em que garantem a proteção dos pacientes verdadeiramente de alto risco. A educação do paciente sobre higiene oral é a medida mais importante para prevenir a endocardite.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais condições cardíacas que exigem profilaxia para endocardite infecciosa?

As principais condições incluem: próteses valvares cardíacas (mecânicas ou biológicas), história prévia de endocardite infecciosa, cardiopatias congênitas cianóticas não reparadas, cardiopatias congênitas reparadas com material protético nos primeiros 6 meses pós-procedimento, e cardiopatias congênitas reparadas com defeitos residuais.

Por que a estenose mitral reumática grave não requer profilaxia para endocardite?

As diretrizes atuais restringiram as indicações de profilaxia, pois a maioria dos casos de endocardite não está relacionada a procedimentos dentários e o risco de eventos adversos com antibióticos supera o benefício em condições de risco intermediário, como a estenose mitral reumática isolada.

Qual o antibiótico de escolha para profilaxia de endocardite em procedimentos dentários?

O antibiótico de escolha para profilaxia de endocardite em procedimentos dentários é a Amoxicilina (2g via oral, 30-60 minutos antes do procedimento) para pacientes sem alergia à penicilina. Para alérgicos, Clindamicina, Azitromicina ou Claritromicina são alternativas.

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