Profilaxia de Endocardite Infecciosa: Novas Diretrizes

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 27 anos, com estenose mitral de etiologia reumática, consulta seu médico sobre a necessidade de usar antibióticos antes de alguns procedimentos. Ele deve ser esclarecido que:

Alternativas

  1. A) há exigência antes de procedimentos dentários
  2. B) é indicado em caso de cateterizacão urinária
  3. C) é prescrita antes de colonoscopia
  4. D) não há indicação para profilaxia

Pérola Clínica

Profilaxia de endocardite infecciosa: restrita a poucos procedimentos e condições cardíacas de alto risco. Estenose mitral isolada não indica.

Resumo-Chave

As diretrizes atuais para profilaxia de endocardite infecciosa são muito restritivas, indicadas apenas para pacientes com alto risco de endocardite e para procedimentos com alto risco de bacteremia. A estenose mitral isolada, mesmo de etiologia reumática, não se enquadra nas condições de alto risco que exigem profilaxia para a maioria dos procedimentos.

Contexto Educacional

A profilaxia da endocardite infecciosa tem sido um tema de constante revisão nas diretrizes médicas, com uma tendência crescente à restrição de suas indicações. O objetivo principal é prevenir a infecção de estruturas cardíacas em pacientes com alto risco de desenvolver endocardite, submetidos a procedimentos que podem causar bacteremia transitória. No entanto, o uso excessivo de antibióticos para profilaxia contribui para a resistência antimicrobiana e expõe os pacientes a riscos desnecessários. As diretrizes atuais, como as da American Heart Association (AHA) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), limitam a profilaxia a um grupo muito específico de pacientes com condições cardíacas de altíssimo risco. Estas incluem pacientes com próteses valvares (mecânicas ou biológicas), história prévia de endocardite infecciosa, certas cardiopatias congênitas (cianóticas não reparadas, reparadas com material protético nos primeiros 6 meses ou com defeitos residuais) e receptores de transplante cardíaco que desenvolvem valvopatia. Em relação aos procedimentos, a profilaxia é recomendada quase exclusivamente para procedimentos dentários que envolvem manipulação da gengiva, da região periapical do dente ou perfuração da mucosa oral. Para procedimentos gastrointestinais ou geniturinários, a profilaxia não é rotineiramente indicada, a menos que haja uma infecção ativa no local do procedimento e o paciente se enquadre nas condições cardíacas de alto risco. A estenose mitral reumática isolada, como no caso da questão, não é mais considerada uma indicação para profilaxia de endocardite infecciosa.

Perguntas Frequentes

Quais são as condições cardíacas de alto risco que exigem profilaxia para endocardite infecciosa?

As condições de alto risco incluem próteses valvares (mecânicas ou biológicas), endocardite infecciosa prévia, cardiopatias congênitas cianóticas não reparadas ou reparadas com defeitos residuais, e receptores de transplante cardíaco que desenvolvem valvopatia.

Para quais procedimentos a profilaxia de endocardite é indicada?

A profilaxia é indicada apenas para procedimentos dentários que envolvem manipulação da gengiva, região periapical do dente ou perfuração da mucosa oral. Não é rotineiramente indicada para procedimentos gastrointestinais ou geniturinários, exceto em casos de infecção ativa.

Por que a estenose mitral reumática isolada não exige profilaxia de endocardite?

A estenose mitral reumática isolada não é considerada uma condição de alto risco para endocardite infecciosa pelas diretrizes atuais, pois o risco de bacteremia transitória e subsequente endocardite é baixo e não supera os riscos do uso indiscriminado de antibióticos.

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