UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Qual dos casos abaixo tem indicação de profilaxia para endocardite, segundo as recomendações atuais?
Profilaxia para endocardite → cardiopatias de alto risco + procedimentos dentários invasivos.
As indicações de profilaxia para endocardite infecciosa são restritas a pacientes com alto risco de desenvolver a doença e que serão submetidos a procedimentos com alto risco de bacteremia, principalmente procedimentos dentários invasivos. Cardiopatias congênitas cianóticas não corrigidas representam uma das condições de alto risco.
A endocardite infecciosa é uma infecção grave do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas. A profilaxia antibiótica visa prevenir a bacteremia transitória que pode ocorrer durante certos procedimentos, especialmente os dentários, e que pode levar à colonização de estruturas cardíacas vulneráveis. As diretrizes para profilaxia de endocardite têm sido revisadas ao longo dos anos, tornando-se mais restritivas devido à baixa incidência de endocardite pós-procedimento e ao risco de resistência antimicrobiana. A fisiopatologia da endocardite envolve a formação de vegetações nas valvas cardíacas, geralmente em locais de fluxo turbulento ou lesão endotelial pré-existente. A bacteremia, mesmo que transitória, pode permitir que microrganismos se adiram a essas vegetações. As condições cardíacas de alto risco são aquelas que predispõem significativamente à formação dessas vegetações e onde a endocardite teria um desfecho particularmente grave. Atualmente, a profilaxia é recomendada apenas para um grupo seleto de pacientes com as condições cardíacas de maior risco: pacientes com próteses valvares, história prévia de endocardite, cardiopatias congênitas cianóticas não corrigidas ou corrigidas com material protético nos primeiros 6 meses, e valvulopatia em coração transplantado. Os procedimentos que exigem profilaxia são principalmente os dentários invasivos. Para procedimentos gastrointestinais ou geniturinários, a profilaxia é geralmente reservada para pacientes com infecção ativa no local do procedimento e condições cardíacas de alto risco.
As condições de alto risco incluem próteses valvares cardíacas (mecânicas ou biológicas), história prévia de endocardite infecciosa, cardiopatias congênitas cianóticas não corrigidas ou corrigidas com material protético nos primeiros 6 meses, e valvulopatia em coração transplantado.
A profilaxia é recomendada principalmente para procedimentos dentários que envolvem manipulação da gengiva, da região periapical do dente ou perfuração da mucosa oral. Para procedimentos gastrointestinais ou geniturinários, a profilaxia é raramente indicada, exceto em infecções ativas.
As diretrizes atuais não recomendam profilaxia para prolapso valvar mitral, mesmo com regurgitação, pois o risco de endocardite nesses casos é considerado baixo e os riscos associados ao uso indiscriminado de antibióticos superam os benefícios.
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