Profilaxia Endocardite: Prolapso Mitral e Cirurgia Dentária

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente feminina de 39 anos apresenta prolapso de valva mitral com refluxo moderado avaliado em ecodopplercardiograma. Tem plano de realizar procedimento dentário (cirurgia periodontal com manipulação de tecido gengival]. Qual a conduta médica indicada neste caso?

Alternativas

  1. A) Realizar profilaxia para endocardite infecciosa com amoxicilina em duas etapas: 2g via oral 1 hora antes e 1g via oral 6 horas após o procedimento.
  2. B) Não realizar profilaxia para endocardite infecciosa pois a paciente não se trata de doença valvar grave
  3. C) Realizar profilaxia para endocardite infecciosa com amoxicilina 2g, por via oral, em dose única,1 hora antes do procedimento
  4. D) Não realizar profilaxia para endocardite infecciosa e contraindicar o procedimento dentário.
  5. E) Realizar profilaxia para endocardite infecciosa com ampicilina 4g, por via intravenosa, 30 minutos antes do procedimento

Pérola Clínica

Prolapso valvar mitral com refluxo + procedimento dentário invasivo → Profilaxia endocardite com Amoxicilina 2g VO 1h antes.

Resumo-Chave

A profilaxia para endocardite infecciosa é indicada em pacientes com condições cardíacas de alto risco (incluindo prolapso de valva mitral com regurgitação significativa) que serão submetidos a procedimentos dentários com manipulação de tecido gengival ou região periapical. A amoxicilina é a primeira escolha, em dose única, 1 hora antes do procedimento.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa é uma infecção grave do endocárdio ou valvas cardíacas, com alta morbimortalidade. A profilaxia antibiótica visa prevenir a bacteremia transitória que ocorre durante certos procedimentos, especialmente dentários, em pacientes com condições cardíacas predisponentes. A incidência de endocardite é baixa, mas as consequências são severas. A fisiopatologia envolve a adesão de bactérias (geralmente estreptococos orais) a um endotélio valvar previamente lesado ou protético, formando vegetações. O diagnóstico é complexo, baseado em critérios clínicos, laboratoriais e ecocardiográficos. A identificação de pacientes de risco é fundamental. As diretrizes atuais restringem a profilaxia a um grupo seleto de pacientes com maior risco de endocardite e pior prognóstico. Para procedimentos dentários invasivos, a amoxicilina oral em dose única antes do procedimento é a escolha padrão. É crucial que residentes e estudantes compreendam as indicações precisas para evitar o uso desnecessário de antibióticos e a resistência antimicrobiana.

Perguntas Frequentes

Quais são as condições cardíacas que exigem profilaxia para endocardite?

As condições de alto risco incluem próteses valvares, histórico de endocardite infecciosa, cardiopatia congênita cianótica não reparada, cardiopatia congênita reparada com defeito residual e valvopatia em transplantados cardíacos. Prolapso de valva mitral com regurgitação significativa ou espessamento valvar também pode ser considerado.

Quais procedimentos dentários requerem profilaxia para endocardite?

A profilaxia é indicada para procedimentos dentários que envolvem manipulação de tecido gengival, região periapical do dente ou perfuração da mucosa oral, onde há risco de bacteremia.

Qual o esquema de antibiótico de primeira linha para profilaxia de endocardite?

A amoxicilina é o antibiótico de primeira linha, administrada por via oral na dose de 2g (adultos) ou 50mg/kg (crianças), em dose única, 30 a 60 minutos antes do procedimento. Para alérgicos à penicilina, clindamicina, azitromicina ou claritromicina são alternativas.

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