FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Paciente de 27 anos, do sexo feminino, portadora de prolapso valvar mitral sem regurgitação, procura atendimento médico, encaminhada pelo dentista, devido proposta de tratamento endodôntico e com solicitação de orientações quanto à profilaxia antibiótica para endocardite bacteriana. A paciente refere ser alérgica a penicilina, Baseado nas informações acima, qual a melhor opção terapêutica?
Prolapso valvar mitral SEM regurgitação não indica profilaxia para endocardite em procedimentos dentários.
As diretrizes atuais para profilaxia de endocardite bacteriana são restritas a condições cardíacas de alto risco. O prolapso valvar mitral isolado, sem regurgitação significativa, não é considerado uma condição de alto risco, portanto, não há indicação de profilaxia antibiótica para procedimentos dentários, mesmo em casos de alergia à penicilina.
A profilaxia para endocardite bacteriana é um tema de constante atualização nas diretrizes clínicas, visando restringir o uso de antibióticos a situações de real benefício e alto risco. Historicamente, diversas condições cardíacas eram consideradas indicativas de profilaxia, mas as evidências atuais demonstram que apenas um grupo seleto de pacientes se beneficia dessa medida, principalmente aqueles com maior risco de desenvolver endocardite e de ter um desfecho desfavorável. As diretrizes mais recentes, como as da American Heart Association (AHA), enfatizam que a profilaxia antibiótica para endocardite infecciosa é recomendada apenas para pacientes com condições cardíacas de alto risco submetidos a procedimentos dentários que envolvem manipulação da gengiva ou da região periapical do dente, ou perfuração da mucosa oral. O prolapso valvar mitral, quando não acompanhado de regurgitação significativa ou espessamento valvar, não é mais considerado uma condição de alto risco para endocardite e, portanto, não requer profilaxia. Para residentes, é crucial estar atualizado com essas diretrizes para evitar a prescrição desnecessária de antibióticos, o que contribui para a resistência antimicrobiana e expõe o paciente a riscos de efeitos adversos. Em casos de alergia à penicilina e indicação de profilaxia, as alternativas incluem clindamicina, azitromicina ou claritromicina. No entanto, no cenário apresentado, a ausência de regurgitação mitral significativa elimina a necessidade de qualquer profilaxia, independentemente da alergia.
As condições de alto risco incluem próteses valvares cardíacas, endocardite infecciosa prévia, cardiopatia congênita cianótica não reparada, cardiopatia congênita reparada com defeitos residuais e transplante cardíaco com valvulopatia.
A profilaxia é indicada para procedimentos dentários que envolvem manipulação da gengiva, da região periapical do dente ou perfuração da mucosa oral, como extrações, raspagem periodontal e tratamento endodôntico.
Para pacientes alérgicos à penicilina, as opções incluem clindamicina, azitromicina ou claritromicina, administradas por via oral uma hora antes do procedimento.
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