Profilaxia Endocardite Bacteriana: Indicações e Casos de Risco

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Em qual das condições abaixo, presentes em paciente que será submetido a uma cirurgia para correção de estenose de traqueia pós-intubação prolongada, ele deverá receber antibioticoprofilaxia específica para Endocardite Bacteriana?

Alternativas

  1. A) Portador de prótese de válvula aórtica. 
  2. B) Presença de prolapso da valva mitral sem regurgitação.
  3. C) Revascularização do miocárdio pregressa. 
  4. D) Cirurgia na adolescência para correção de defeito do septo ventricular. Comentário por Sérgio Beduschi Filho – infectologia (Profilaxia cirúrgica / endocardite)

Pérola Clínica

Profilaxia endocardite bacteriana → indicada em próteses valvares, endocardite prévia, cardiopatias congênitas cianóticas não corrigidas ou corrigidas com material protético.

Resumo-Chave

A profilaxia para endocardite bacteriana é recomendada em pacientes com alto risco de desenvolver a condição, como aqueles portadores de próteses valvares cardíacas. Cirurgias que envolvem manipulação de mucosas, como a correção de estenose de traqueia, podem ser portas de entrada para bacteremia.

Contexto Educacional

A endocardite bacteriana é uma infecção grave do endocárdio, geralmente envolvendo as valvas cardíacas. A profilaxia antibiótica é uma medida preventiva crucial para pacientes com alto risco de desenvolver a doença quando submetidos a procedimentos que podem causar bacteremia. As diretrizes para profilaxia têm sido revisadas ao longo dos anos, focando em grupos de pacientes com maior risco e em procedimentos específicos. A fisiopatologia da endocardite envolve a formação de vegetações estéreis em valvas danificadas ou protéticas, que servem como nicho para a adesão e proliferação bacteriana durante episódios de bacteremia. Pacientes com próteses valvares, história prévia de endocardite, ou certas cardiopatias congênitas têm um risco significativamente aumentado. A cirurgia para correção de estenose de traqueia, por envolver a manipulação de mucosa respiratória, pode ser um gatilho para bacteremia. As indicações atuais para profilaxia de endocardite bacteriana são restritas a pacientes com as condições cardíacas de maior risco: próteses valvares (incluindo transcateter), endocardite prévia, cardiopatias congênitas cianóticas não corrigidas, e cardiopatias congênitas corrigidas com material protético (nos primeiros 6 meses ou com defeitos residuais). A escolha do antibiótico e o momento da administração dependem do tipo de procedimento e do agente etiológico mais provável.

Perguntas Frequentes

Quais são as condições cardíacas de alto risco que justificam a profilaxia para endocardite bacteriana?

As condições de alto risco incluem próteses valvares cardíacas (mecânicas ou biológicas), história prévia de endocardite infecciosa, cardiopatias congênitas cianóticas não corrigidas e cardiopatias congênitas corrigidas com material protético nos primeiros 6 meses ou com defeitos residuais.

Por que a prótese de válvula aórtica requer profilaxia para endocardite?

A prótese de válvula aórtica, seja mecânica ou biológica, representa uma superfície estranha no coração que é mais suscetível à aderência bacteriana e à formação de vegetações, aumentando significativamente o risco de endocardite infecciosa.

Em quais procedimentos a profilaxia para endocardite é recomendada para pacientes de alto risco?

A profilaxia é recomendada para procedimentos dentários que envolvem manipulação da gengiva ou região periapical do dente, procedimentos no trato respiratório que envolvem incisão ou biópsia da mucosa (como a cirurgia de estenose de traqueia), e procedimentos em pele ou tecido musculoesquelético infectado.

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