Sulfato de Magnésio na Pré-eclâmpsia: Prevenção de Convulsões

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2025

Enunciado

Uma gestante de 32 semanas, nulípara, com histórico de hipertensão arterial crônica, apresenta cefaleia pulsátil há 24 horas, distúrbios visuais (escotomas cintilantes) e dor epigástrica em faixa. No exame físico, encontra-se hipertensa (PA de 170/110 mmHg), com edema de membros inferiores (2+/4+) e reflexos tendíneos hiperativos. A avaliação laboratorial revela proteinúria de 4 g/24h, plaquetopenia (85.000/mm³) e elevação de transaminases. Considerando o quadro clínico e os temas correlatos, julgue os itens a seguir. O manejo desta paciente inclui a administração de sulfato de magnésio para prevenção de convulsões.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou eclâmpsia = Sulfato de Magnésio é a droga de escolha para prevenção e tratamento das convulsões.

Resumo-Chave

A afirmação está correta. O sulfato de magnésio é o tratamento padrão-ouro para a profilaxia de convulsões em pacientes com pré-eclâmpsia com critérios de gravidade. Ele atua como um neuroprotetor, diminuindo a excitabilidade neuronal no sistema nervoso central, sendo mais eficaz que outros anticonvulsivantes para esta indicação.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação que pode evoluir para complicações graves, sendo a eclâmpsia (ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas) uma das mais temidas. O manejo visa o controle da pressão arterial e, crucialmente, a prevenção das convulsões em pacientes de alto risco. O sulfato de magnésio é a droga de eleição para a profilaxia e tratamento da eclâmpsia. Sua indicação formal é na presença de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou na eclâmpsia já instalada. O principal mecanismo de ação é a neuroproteção, através do bloqueio dos receptores de N-metil-D-aspartato (NMDA) no cérebro, o que aumenta o limiar convulsivo. Ele também tem um efeito vasodilatador periférico, que pode ajudar no controle pressórico, embora não seja sua indicação primária. Durante a administração do sulfato de magnésio, é fundamental a monitorização clínica rigorosa para detectar sinais precoces de toxicidade, já que sua janela terapêutica é estreita. Deve-se avaliar a cada hora: frequência respiratória (deve ser >12 irpm), presença de reflexo patelar e diurese (deve ser >25-30 mL/h). A disponibilidade do antídoto, gluconato de cálcio, é obrigatória.

Perguntas Frequentes

Quais critérios definem a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?

Os critérios incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, plaquetopenia (<100.000/mm³), disfunção hepática (transaminases elevadas), insuficiência renal progressiva (creatinina > 1,1 mg/dL), edema pulmonar, ou distúrbios cerebrais ou visuais (cefaleia, escotomas).

Qual é o esquema de administração padrão do sulfato de magnésio?

O esquema de Zuspan é o mais utilizado. Consiste em uma dose de ataque intravenosa de 4 a 6 gramas, infundida em 20 a 30 minutos, seguida por uma infusão de manutenção de 1 a 2 gramas por hora. A terapia deve ser mantida por 24 horas após o parto ou a última convulsão.

Quais são os sinais de intoxicação por sulfato de magnésio e qual o antídoto?

Os sinais de toxicidade progridem com o aumento do nível sérico: o primeiro sinal é a perda do reflexo patelar, seguido por depressão respiratória, alterações cardíacas e parada cardíaca. O antídoto é o gluconato de cálcio a 10%, administrado 1 grama por via intravenosa lentamente.

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